Artigo do médico veterinário Jorge Pacheco, gerente de Produtos para Suínos da Guabi, fala sobre os benefícios da fitase nas rações para suínos.
Utilização da fitase nas rações para suínos garante benefícios ao animal e meio ambiente
A adição de enzimas na nutrição animal tem se tornado cada vez mais comum no Brasil nas últimas décadas, por proporcionar benefícios para o animal e ao meio ambiente. Na suinocultura, enzimas como a fitase fazem parte da composição dos produtos de diversas empresas fabricantes de rações. Dentre suas vantagens, estão a redução do custo de formulação obtido com esta inclusão, além de melhoria no desempenho animal e redução da capacidade poluente dos dejetos animais.
A fitase aumenta a liberação de fósforo presente no ácido fítico, reduz a ação antinutricional do fitato e auxilia o organismo na eliminação dos fatores que dificultam a absorção de nutrientes necessários para o seu desenvolvimento e saúde. No sistema gastrointestinal o ácido fítico se liga com minerais, proteínas e enzimas, como a amilase, formando o fitato. Este, por sua vez, impede que componentes importantes para o desenvolvimento dos animais se unam ao bolo alimentar, desta forma sendo eliminados através das fezes. Além de reduzir a disponibilidade do fósforo, o fitato aumenta a secreção de muco no intestino, o que interfere nos sistemas de absorção de nutrientes pelos suínos. A fitase quebra o ácido fítico, impede a formação do fitato e possibilita a absorção destes nutrientes.
Utilizando-se a fitase é possível menor adição de fontes de fósforo inorgânicas na ração. Além de disponibilizar fósforo, a adição da fitase interfere no fluxo biológico deste ingrediente: do trato gastrointestinal para os ossos; dos ossos e tecidos moles para o trato intestinal de suínos e pode interferir na absorção de outros componentes, como o zinco. Absorvendo mais nutrientes (fósforo, cálcio, zinco e cobre) a excreção destes elementos minerais nas fezes diminui em até 20%. Para o animal, o aumento da disponibilidade de nutrientes em seu organismo melhora seu desempenho, auxilia no ganho de peso e otimiza o aproveitamento da ração.
Leia também no Agrimídia:
- •Pará intensifica inquérito sanitário para peste suína clássica em três regiões do Estado
- •Cepea: exportações de carne suína somam 138,3 mil toneladas e batem recorde em abril
- •Evento do CBNA aponta lacunas em pesquisas e cobra avanços na nutrição animal no Brasil
- •Reino Unido atualiza estratégia sanitária para proteger suinocultura contra surtos de peste suína
O desempenho do animal é favorecido ao disponibilizar em sua dieta maior quantidade e qualidade de nutrientes. A fitase permite que nutrientes inorgânicos – aqueles que o animal têm dificuldade em absorver e gasta energia para eliminar do organismo -, sejam fornecidos em menor quantidade. Isto auxilia na digestão dos alimentos. Oferecer uma ração com fitase, possibilita que elementos essenciais à saúde dos suínos não sejam eliminados sem agirem no organismo.
O cálcio e fósforo atuam na formação de ossos e dentes. A deficiência de cálcio pode ocasionar desmineralização óssea e aumento de incidência de coagulação sanguínea. O fósforo também atua nas reações químicas em que se libera energia. A falta deste elemento ocasionará redução de apetite, deficiência no crescimento e ganho de peso, além de conversão alimentar.
O cobre é necessário para a síntese de hemoglobina, altera a morfologia intestinal, melhora a digestibilidade de gorduras na dieta, garante a integridade das células, além de evitar sua destruição por vírus e bactérias. O zinco é importante para o metabolismo de proteína, carboidrato e lipídio, como também a síntese de mais de 200 enzimas envolvidas nas respostas imunes. Melhora a resistência dos cascos, condição da pele, dos pêlos e funcionamento dos órgãos reprodutores.
Redução de custos – A fonte de fósforo mais utilizada pelos produtores é o fosfato bicálcico. Hoje o custo de fosfato gira em torno de R$ 0,90/kg. A utilização de 500 FTU’s reduz a inclusão de 6 a 7 kg de fosfato/tonelada de ração. Hoje, com o custo de R$ 2 de fitase por tonelada de ração, economiza-se R$ 6,30 de fosfato. A esta diferença deve ser acrescentado o valor de outra matéria-prima, no caso o milho, que custaria R$ 2,80. A economia com a suplementação é de 3% utilizando a fitase, além do benefício adicional de melhoria no desempenho dos animais.
A empresa de nutrição animal Guabi também adiciona outras enzimas que agem em conjunto com a fitase com objetivo de maximizar o potencial dos animais. Além das enzimas, a empresa busca em sua linha de produtos utilizar matérias-primas nobres, de alta digestibilidade e com balanceamento ideal de aminoácidos (lisina, metionina, treonina, triptofano, dentre outros), fundamental para o melhor desempenho dos animais.
Vantagens ambientais – Os animais que não ingerem fitase para absorção do fósforo retirado dos alimentos vegetais, excretam este elemento, através das fezes, para a água de superfície e lençóis freáticos. Se não forem corretamente tratadas, as fezes seguem para os cursos d’água onde a poluição com o fósforo é um perigo para a qualidade da água. Este é um grave problema ambiental, pois o excesso deste elemento pode acarretar a eutrofização (excesso de nutrientes) de rios, lagos e reservas. A lixiviação de solos com alta concentração de fósforo pode acelerar a eutrofização, causando o crescimento de algas tóxicas e mortalidade de peixes.
Jorge N. Pacheco
Veterinário e gerente de Produtos de Suínos do Grupo Guabi























