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IRENA lança guia de como dobrar a participação das energias renováveis na matriz mundial até 2030

Uma redução nos subsídios de combustíveis fósseis, por exemplo, facilitaria a captação de investimento para essas fontes.

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IRENA lança guia de como dobrar a participação das energias renováveis na matriz mundial até 2030

A Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) publicou na semana passada o relatório REmap 2030, que afirma que a participação das fontes renováveis na matriz energética mundial pode dobrar, ultrapassando 30% em 16 anos, sem que isso resulte em custos elevados para os consumidores.

O REmap 2030, lançado durante na quarta assembleia da IRENA, que contou com a participação de mais de mil representantes de 151 países e 120 organizações, baseia-se na análise de 82 especialistas sobre a oferta e a demanda de energia em 26 países, que provavelmente serão responsáveis por 74% do consumo total de energia no mundo em 2030.

O documento indica que, se o progresso das renováveis continuar no ritmo atual, elas serão responsáveis por 21% do mix energético global até 2030, deixando uma lacuna de 9% em relação às metas. Isso representa um grande desafio que exige atenção em todos os níveis e em diferentes setores.

Por isso, o estudo traça um caminho para mostrar como duplicar a participação das energias renováveis no mix energético global a partir de tecnologias que já estão disponíveis atualmente. Somadas à eficiência energética e à melhoria no acesso à energia, essas novas tecnologias poderiam inclusive elevar a participação das renováveis no mix energético global para até 36%, diz o documento.

Para que o desenvolvimento das energias renováveis chegue nesse nível, o mapa aponta que a geração a partir de fontes renováveis em nível global teria que exceder as atuais taxas anuais de expansão para mais de 150 gigawatts (GW) por ano, em comparação com a taxa de 110 GW em 2011.

O estudo também mostra que o desenvolvimento de energias renováveis modernas, ou seja, fontes renováveis que excluem o uso tradicional de biomassa, precisaria crescer mais do que três vezes.

“Há uma causa econômica forte para a transição para as energias renováveis. Quando se considera a mitigação das mudanças climáticas, o impacto na saúde e a criação de empregos, a transição praticamente se paga”, colocou Adnan Z. Amin, diretor geral da agência.

“5,7 milhões de pessoas no mundo estão atualmente empregadas no setor de energias renováveis e esse número deve crescer. Mais renováveis no sistema de energia fornecem mais flexibilidade, aumentam a independência energética e tornam o sistema mais resiliente”, continuou Amin.

“Identificamos cinco áreas de ação nacional: planejar caminhos realistas, porém ambiciosos, para a transição; criar um ambiente de negócios favorável; gerir o conhecimento de opções de tecnologia e sua implantação; garantir uma integração harmoniosa das renováveis na infraestrutura existente; e estimular a inovação”, observou Dolf Gielen, diretor do Centro de Inovação e Tecnologia da IRENA.

Além disso, repensar os impostos e subsídios de energia também seria essencial para o desenvolvimento econômico das renováveis. Uma redução nos subsídios de combustíveis fósseis, por exemplo, facilitaria a captação de investimento para essas fontes.

Com esses estímulos, os subsídios para energias renováveis futuramente poderiam até ser eliminados, isso se as emissões de gases do efeito estufa e outras formas de poluição atmosférica fossem realmente precificadas. Contudo, a pesquisa enfatiza que os esforços para que esse desenvolvimento das renováveis ocorra precisam acelerar para ter sucesso.

“Muitos governos estão subestimando o potencial das renováveis em seu planejamento para a transição energética. Para atingir uma meta de dobrar a participação das energias renováveis até 2030, esforços adicionais são necessários, particularmente nos setores de construção, indústria e transportes”, comentou Gielen.

“A boa notícia é que os custos estão caindo, a tecnologia está se espalhando, e países de todo o mundo estão implementando políticas para fazer isso acontecer. Com a vontade política certa, um mundo alimentado por energia limpa e renovável está ao nosso alcance”, concluiu Amin.

Ação – Felizmente, uma pequena demonstração da ação necessária para desenvolver as energias renováveis ocorreu já na assembleia, quando os Emirados Árabes Unidos (EAU), que são sede da IRENA e do evento, anunciaram um projeto para apoiar a transição energética.

“Estou satisfeito em anunciar que no domingo a IRENA e o Fundo Abu Dabi para o Desenvolvimento oferecerá um empréstimo facilitado de US$ 41 milhões para projetos propostos por países que forem aprovados pelos padrões estabelecidos pela agência”, divulgou Ahmad Al Jaber, ministro de Estado e CEO da Masdar, empresa de energia de Abu Dabi.

“Esse passo representa a primeira parcela de financiamento concessional no valor total de US$ 350 milhões, que é prometido pelos EAU para promover o estabelecimento de projetos de energia renovável em países em desenvolvimento”, acrescentou Al Jaber. A primeira fase de empréstimos irá para os seis primeiros projetos de energias renováveis em países em desenvolvimento.

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