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Soja e milho no Sul

Para evitar efeitos climáticos do La Niña, produtor pode antecipar plantio de soja e milho no Sul do Brasil.

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Soja e milho no Sul

O período de seca que se vê hoje na Ásia, Oceania e Europa deverá chegar ao Brasil no segundo semestre. Segundo meteorologistas, a expectativa é que o fenômeno climático La Niña ocorra entre o fim de agosto e início de setembro, estendendo-se até março ou abril do ano que vem.

O La Niña representa o esfriamento do oceano, menos evaporação e menos chuvas. A chegada do fenômeno será em plena época de plantio de soja e milho no Rio Grande do Sul, que acontece entre início de agosto e meados de janeiro. “O milho é cultura que mais sofre”, diz Dulphe Pinheiro Machado, assistente técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) gaúcha, lembrando que a soja é um pouco mais resistente ao estresse hídrico. De acordo com o zoneamento econômico agrícola do Estado, o período de plantio do milho é possível entre o fim de julho e meados de janeiro.

Por esse motivo, a recomendação do órgão é para a antecipação do plantio. “Estamos recomendando aos produtores a antecipar ao máximo o plantio”, diz Machado. “Estamos pedido para eles começarem já em agosto”.

Segundo Machado, na última vez em que o La Niña atingiu o Estado – em 2005 -, a safra de milho registrou uma queda média de produtividade de 4.700 quilos por hectare para 1.537 quilos por hectare. A soja registrou queda de 2.500 quilos para 654 quilos por hectare.

“O verão no Sul já sofre naturalmente com seca. O La Ninã só vai potencializar isso”, diz o meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia.

Ao contrário do Estado gaúcho, o Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná ainda não enviou recomendações aos produtores. “O impacto do La Niña é muito relativo”, argumenta Francisco Marcos Simione, presidente do órgão. De acordo com ele, em anos anteriores, o fenômeno climático causou seca no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, mas não afetou o Paraná. A recomendação, portanto, é aguardar para ver os desdobramentos. “O Paraná tem muito plantio direto do trigo, que conserva mais a umidade do solo. Isso, somado à pesquisa e assistência técnica, dá suporte à essa estiagem”, diz Simione. “Se a seca perdurar, vai ter reflexo. Mas não temos condições de avaliar o tamanho desse reflexo agora”.

A meteorologista Priscila Farias, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também é cautelosa. “A intensidade do próximo La Niña a gente ainda não sabe prever”.

Paulo Molinari, da Safras&Mercado, afirma que a expectativa de chegada do La Niña ainda não está sendo precificada pelo mercado. Historicamente, diz ele, o efeito do fenômeno é quebra ou redução da produção nas regiões afetadas.

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