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Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 8,42 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 5,40 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 5,60 / kg
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Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 157,91 / cx
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Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.342,67 / t
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“Nunca digas: Dessa água não beberei” – por Ariovaldo Zani

Diante do stress hídrico, torna-se compulsório modificar o atual modelo de gestão pública aplicado à água, principalmente porque, ao invés de promover o reuso e aproveitar as fontes pluviais oriundas das chuvas, as autoridades tem desembolsado vultosos investimentos em adutoras que trazem o precioso líquido de bacias e rios também afligidos pela escassez.

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“Nunca digas: Dessa água não beberei” – por Ariovaldo Zani

Diante do stress hídrico, torna-se compulsório modificar o atual modelo de gestão pública aplicado à água, principalmente porque, ao invés de promover o reuso e aproveitar as fontes pluviais oriundas das chuvas, as autoridades tem desembolsado vultosos investimentos em adutoras que trazem o precioso líquido de bacias e rios também afligidos pela escassez.
Na obra A Civilização do Ocidente Medieval, o historiador medieval Jacques Le Goff registra: “O mais terrível, talvez, neste reinado da fome é que ele é, a um tempo, arbitrário e inelutável. Arbitrário, porque está ligado aos caprichos da natureza. A causa imediata da fome é a má colheita, isto é, a irregularidade da ordem natural: as secas (…)”.
Como poeticamente descrito, o clima modula a disponibilidade da água e a sociedade consumidora antiga ou moderna (residências, agropecuária e indústria), por sua vez, percebe a água como recurso inesgotável em quantidade e qualidade, contribuindo assim na amplitude da escassez, por causa do mau uso e desperdício.
Mais recentemente, ainda em 2011, a perda média nacional de água contabilizou 40%, segundo o Governo Federal/Ministério das Cidades, enquanto no ano passado, a metrópole paulistana viu esvair-se mais de 30% de toda água produzida entre a estação de tratamento e as torneiras das residências, por conta dos vazamentos e transbordamentos, conforme admitiu recentemente a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo/SABESP. A perda de aproximadamente 950 bilhões de litros, ou volume quase equivalente à plena capacidade do Sistema Cantareira, levará ao menos dois anos para recuperar sua vazão, mesmo com a hipotética retomada do índice pluviométrico histórico.
À época da Idade Média, a economia do Ocidente objetivava a subsistência dos homens e o sustento era retirado de uma atividade essencialmente agrária, na qual a terra fornecia os produtos e os mantimentos, necessários à sobrevivência da população que ali habitava. Na passagem do século XI ao XII, predominava no Ocidente europeu uma significativa evolução demográfica, onde os meios de produção e o atendimento à alimentação, habitação e vestuário tornavam-se cada vez mais complexos. O consumo de gêneros primários aumentava pelo maior número de consumidores e o rendimento tinha de acompanhá-lo, de maneira a minimizar eventuais prejuízos à população e uma das soluções para o excesso populacional foi a extensão dos cultivos, porque quanto maior fosse a área de produção (expressa em hectares), maior seria a safra que abasteceria a unidade feudal. No entanto, a boa produtividade não dependia apenas do aparato técnico, mas correlacionava-se com as condições geográficas, o solo, clima, etc., e dentre todos os pré-requisitos, a água era o fator mais importante para uma produção eficiente. Em resumo, diante da escassez de água, o sustento proporcionado pelo cultivo era insuficiente ao povo que a partir dele sobrevivia.
Os episódios transcorridos no período medieval demonstram a importância da água naquelas unidades de produção agrícola, circunstância presenciada na atualidade, por exemplo, quando observamos o crescimento demográfico e de renda, concentrados nos emergentes e principalmente na Ásia e na África, que tem determinado maior consumo de carnes, ovos e leite, elaborados à partir dos insumos da agricultura, atividade que no Brasil demanda 70% da água tratada.
Vislumbrando um futuro não tão distante, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico/OCDE, já projeta consumo global crescente de carne bovina, suína e de aves, que pode adicionar em 2022, cerca de 15 milhões, 13 milhões e 19 milhões de toneladas, respectivamente. Tão importante ainda é salientar, que em média, cada quilo de carne bovina consome 15 mil litros de água, enquanto são mobilizados acima de 4 mil ou mais de 6 mil litros de água na produção de um quilo de carne de aves ou suína, além de quase 5 mil litros na produção de 1 quilo de ovos, quase 1 mil litros no caso do leite, 2,3 mil litros para cada quilo de soja e 1,8 mil litros por quilo de milho produzido.
A água é sempre protagonista, enquanto sua função, representação e simbologia são contemporâneas em diferentes abordagens do espaço e do tempo, desde os quadros de fome no Ocidente Medieval até um iminente ciclo de insuficiência produtiva causado pelo uso irracional.
Parafraseando Le Goff: “De fato, cria-se um ciclo infernal em todas as más situações. À partida, (…) há uma anomalia climatológica que tem, como consequência, uma má colheita. O encarecimento dos gêneros daí resultantes faz aumentar a indigência dos pobres. O consumo de alimentos de má qualidade (…) acarreta doenças (…) ou um estado de subalimentação que é propício às doenças que minam e tantas vezes matam. O ciclo completa-se deste modo: intempérie, escassez, alta de preços, epidemia ou (…) como se dizia na época, mortalidade (…).”

Raciocinando melhor, mais vale racionalizar do que racionar!

*Gabriel Zani/FFLECH/USP contribuiu na elaboração

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