Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 66,45 / kg
Soja - Indicador PRR$ 120,17 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 125,93 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 8,81 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 5,56 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 5,67 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 5,27 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 5,18 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 5,42 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 156,60 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 156,52 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 174,22 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 178,89 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 148,58 / cx
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Frango - Indicador SPR$ 7,34 / kg
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Safra

Safra recorde expõe infraestrutura do Paraná

Apesar da melhor estrutura de armazenagem do País, capacidade fica abaixo do necessário. Faltam caminhões para o transporte e agilidade no Porto.

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Safra recorde expõe infraestrutura do Paraná

Com praticamente 100% da soja já colhida nos campos dos dois maiores produtores do País, os estados do Paraná e Mato Grosso, os números nacionais, assim como no Paraná, confirmam as previsões de uma super safra de grãos para 2009/2010. Os recordes, porém, acabaram colocando produtores e cooperativas diante do desafio de escoar a produção sem dispor de infraestrutura condizente com os números alcançados.

O Brasil deve fechar o ano com a colheita de 146 milhões de toneladas, quantidade cerca de 9% maior do que a produção em 2009 (133,8 milhões de toneladas). O Paraná, por sua vez, vai chegar a 30 milhões de toneladas colhidas em 2009/2010. Número este, impulsionado pela safra recorde de soja, que deve fechar o ano com 13.890 milhões de toneladas, ultrapassando até mesmo seu último recorde, em 2008, quando a produção chegou a 11,720 milhões de toneladas.

Os problemas começaram com a falta de armazéns para acomodar a safra atual. Com capacidade estática de armazenagem de 25,5 milhões de toneladas, o Paraná tem a melhor estrutura de armazenagem do País. Mesmo assim, é menor do que a produção esperada de 30 milhões de toneladas de grãos. A situação piora, segundo o superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento no Paraná (Conab), Lafaete Jacomel, porque só parte dos armazéns é destinada à recepção de grãos. No Paraná, calcula, 20% são destinados a produtos como algodão, café, entre outros. Com isso, a capacidade de armazenagem de grãos cai para 20,8 milhões de toneladas, cerca de 2/3 da safra deste ano. No Brasil, a situação de repete. A capacidade total dos armazéns é de 130 milhões de toneladas, sendo que cerca de 30% não destinam-se a grãos.

De acordo com Nilson Hanke Camargo, da Assessoria Técnica e Econômica da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), a situação é pior na região Sudoeste. ”Em que pese o Sudoeste também ter um cooperativismo forte, no Norte e Noroeste existe muito armazém antigo, que na década de 40, 50, eram usados para estocar café, e que hoje são usados para granel”, explica.

O problema, porém, não se resume à falta de armazéns. Além de números fartos, a safra atual chegou quando os agricultores ainda não comercializaram a safra 2008/2009. Com isso, produtos como milho e trigo, colhidos em 2008 e 2009, ainda continuavam estocados nos armazéns.

O engenheiro agrônomo Otmar Hubner do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab) explica que a safra 2008/2009 de milho (11,5 milhões de toneladas) não foi vendida devido aos baixos preços. Já a safra de trigo (2,480 milhões de toneladas) perdeu qualidade em função das chuvas, o que resultou em dificuldades de comercialização. Para completar, a safra 2009/2010 de milho também bateu recordes de produtividade em algumas regiões.

A Cooperativa Agroindustrial Coasul, com sede em São João, no Sudoeste, é um bom exemplo desta situação. O gerente técnico Paulo Roberto Fachin explica que o problema de armazenagem é fruto de vários fatores. ”Não é só problema da safra expressiva. Já tinhamos armazenadas safras de milho e trigo de 2008, mais a safra de milho 2009/2010, que apesar de ter menor área plantada teve excelente produtividade”, diz. A situação se agravou porque a soja plantada pelos cooperados, segundo ele, era de ciclo precoce, o que significou uma colheita de poucos dias e antecipada em um mês.

A soja, que devia ser escoada rumo a Ponta Grossa ou o Porto de Paranaguá encontrou outros problemas estruturais: a falta de caminhões e, em função das chuvas, a impossibilidade do porto fazer o embarque do produto em navios. Com isso, a Coasul teve que recorrer a instalações de terceiros. Foram alugados oito barracões que estavam abandonados, onde foram armazenados cerca de 18 mil toneladas, menos de 10% da safra atual, de 330 mil toneladas. A cooperativa tem capacidade estática de armazenagem para 300 mil toneladas, sendo que já tinha em estoque cerca de 90 mil toneladas. ”Foi um apaga-fogo para socorrer o produtor, para ele não perder a lavoura”, diz Fachin.

A Coopavel, com sede em Cascavel, também teve problemas para administrar seus recordes de produção na safra atual. Foram colhidas 360 mil toneladas de soja, 58% acima do que em 2009, e 300 mil toneladas de milho (safras verão e inverno), 34% mais do que o ano passado. Ou seja, a cooperativa, que tem capacidade de armazenagem de 600 mil toneladas, e já tinha cerca de 200 mil toneladas ocupadas com soja, milho e trigo da safra do ano passado, recebeu de seus 3 mil associados, um total de 660 mil toneladas de grãos da safra 2009/2010.

A solução foi improvisar, colocando o produto em pátios debaixo de lonas. Ao todo, foram acomodados 45 mil toneladas de grãos desta forma. Segundo o presidente da cooperativa, Dilvo Grolli, a situação só não complicou porque a rotatividade de produtos na cooperativa é grande. É que as indústrias de ração e esmagamento de soja da cooperativa utilizam, por ano, 64% do milho e 50% da soja que recebe. No momento, restam apenas 15 mil toneladas armazenadas nestes espaços improvisados.

Segundo o gerente técnico da organização das Cooperativas (Ocepar), Flávio Turra, a situação de armazenagem já está ajustada, em função do escoamento da safra. ”A soja está sendo vendida rápido, um terço já foi vendido, o que significa que que mais ou menos 4 milhões de toneladas da safra do Paraná foi escoada. Com isso, foi possível arrumar espaço para que o produto seja transferido para os armazéns adequados”, avalia.

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