A negociação vem sendo conduzida por executivos da OGX assessorados pelas empresas Blackstone e Lazard.
Eike deve ir a Nova York negociar com credor da OGX

A negociação entre a OGX e os credores internacionais, para quem a empresa deve US$ 3,6 bilhões, alcançou um estágio em que dependerá do envolvimento direto do controlador, Eike Batista, para ser concluída. Segundo uma fonte a par da negociação, o empresário deve embarcar na próxima semana para Nova York, onde são realizadas as conversas, para tratar do assunto.
A negociação vem sendo conduzida por executivos da OGX assessorados pelas empresas Blackstone e Lazard. O envolvimento direto de Eike Batista passou a ser fundamental, pois o principal rumo dado à negociação envolve, como já era esperado, a diluição de sua participação na companhia. Isso deve acontecer a partir da possibilidade de os credores converterem dívida em ações e até colocarem dinheiro novo, como pede a empresa. Ele tem 50,1% do capital da OGX.
Com o avanço nas conversas com os credores, os executivos da OGX, cujo retorno para o Rio de Janeiro estava previsto para o início da próxima semana, deverão ficar por mais tempo em Nova York.
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Segundo uma fonte ligada à OGX, não há uma data fechada para um possível pedido de recuperação judicial, caso fracassem as negociações com os credores. Vários cenários envolvendo a liquidação judicial já estão sendo desenhados por fornecedores e parceiros da OGX. Os sócios não falam sobre o assunto, mas a falta de liquidez da OGX acontece no momento em que a Queiroz Galvão Petróleo e Barra Energia iniciam o desenvolvimento da produção do BS-4, o que vai aumentar a exigência de aportes da petroleira de Eike. A OGX ainda deve a fornecedores de sondas como a Diamond Offshore, a Pride/Ensco e a Schlumberger.
Nunca antes uma produtora de petróleo entrou em recuperação judicial no Brasil e a aplicação da legislação específica em áreas sob concessão regulada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) também é uma novidade e causa inquietação.
Ontem, o Goldman Sachs reduziu o preço-alvo das ações da OGX, de R$ 0,70 para R$ 0,20. A mudança, segundo o banco, foi desencadeada pelo atraso no pagamento de US$ 45 milhões em juros de bônus emitidos no exterior que venciam em 30 de setembro. A instituição vê riscos relacionados à renegociação das dívidas com investidores.
A redução do preço-alvo das ações da OGX pelo Goldman Sachs considerou a possibilidade de a petroleira conseguir reduzir em 50% suas dívidas junto a credores em um eventual processo de recuperação judicial, e que a Petronas não irá concluir a compra dos 40% de Tubarão Martelo.
O banco levantou que, dos dez maiores casos brasileiros, desde a aprovação da Lei de Falências Brasileira e Recuperação Judicial (Lei n º 11.101/05), apenas duas empresas foram realmente à falência: a Vasp e a Agrenco. Das oito empresas recuperadas, a renegociação com credores resultou na redução, em média, de 49,7% das dívidas, variando entre 25,7% e 70,7%. As oito empresas recuperadas destacadas foram Eucatex e Leon Heimer, que se recuperaram de fato; grupo Rede, em negociação por um valor simbólico; Celpa, vendida por um preço simbólico; Frigorífico Independência e Infinity Bio-Energia Brasil Participações, ambos vendidos ao JBS; Varig, vendida para a Gol; e Parmalat Brasil, vendida para a Laep Investments.





















