Margens dos produtores rurais devem ser menores na safra 2012/13 diante de custos mais altos, clima adverso e queda nos preços das commodities agrícolas.
BB prevê margens ainda positivas em 2012/13
Depois de seguidos anos de boas margens e ganhos reais para os produtores, a safra 2011/12, que se encerra este mês, registrou quebras e prejuízos em algumas regiões do país em razão de problemas climáticos. Esse prejuízo que será amargado por agricultores, principalmente no Sul e no Nordeste, deverá ser parcialmente compensado na próxima safra, conforme prevê o Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio brasileiro.
Ainda que as margens dos produtores devam ser positivas, a tendência é que fiquem abaixo das médias dos dois últimos ciclos por causa da alta dos custos, problemas meteorológicos e queda de preço das commodities. Os custos estão em alta e a receita deverá ser menos remuneradora do que os dois últimos anos devido a uma tendência de queda no preço das commodities no mercado externo e da alta do dólar em abril, maio e junho, quando os agricultores compram insumos pensando no plantio do ciclo seguinte.
“As margens devem ser em geral menores do que nas safras 2010/11 e 2011/12, mas ainda assim serão atrativas aos produtores”, diz Álvaro Tosetto, gerente executivo da diretoria de Agronegócios do BB.
Leia também no Agrimídia:
- •Carne suína avança no mercado externo e reforça diversificação das exportações do Paraná em 2026
- •Exportações de carne de frango impulsionam alta de 5,4% nas proteínas animais do Paraná no 1º trimestre de 2026
- •Crédito rural empresarial atinge R$ 404 bilhões no Plano Safra 2025/2026 e cresce 10%
- •Importações de ovos pressionam mercado e acendem alerta no Reino Unido
Essa queda prevista no valor das commodities no longo prazo pode variar de intensidade de produto a produto, mas ela está consolidada no caso do milho. O Banco do Brasil já prevê que as margens dos produtores na safra 2012/13 devem ser menores do que a atual em quase todos os Estados, menos no Rio Grande do Sul e Paraná, que já sofreram por causa da seca na safra atual. “A grande produção nacional graças à safrinha que está sendo colhida, e a supersafra americana do grão, devem aumentar a oferta do produto e pressionar a cotação para baixo”, diz Tosetto.
“A soja será uma exceção. Como os estoques mundiais estão baixos e a produção global deve permanecer estável, os preços tendem a continuar nos patamares atuais. Mesmo assim, a alta nos custos vai reduzir as margens”, avalia.
Ainda que seja cedo para prever problemas climáticos, técnicos do banco avaliam que existe a possibilidade do fenômeno El Niño se manifestar. Ao contrário do La Niña, visto esse ano, as variações de precipitações seriam diferentes, com chuvas no Sul e seca no Centro-Norte.
A alta dos custos passa diretamente pelo do reajuste do salário mínimo e pelas compras de defensivos agrícolas e fertilizantes com o dólar mais alto. “Além do aumento do salário mínimo, o que se vê é que muita gente tem ido para outras atividades, como a construção civil, reduzindo e tornando mais cara a mão de obra”, comenta Tosetto.
Para tentar frear o prejuízo, os produtores adiantaram suas compras. O Banco do Brasil registrou um recorde na linha de custeio antecipado. A partir de fevereiro, os produtores puderam contratar recursos para a compra de insumos que serão usados para plantar a safra de setembro e outubro. Para o ciclo 2012/13, já haviam sido liberados R$ 2,050 bilhões até o final de maio. No mesmo período da safra passada, o valor foi de R$ 1,470 bilhão.
Atualizando dados.
















