Óleo combustível não tem o mesmo impacto que diesel e gasolina, mas o aumento foi expressivo e deve atingir a indústria.
Reajuste de combustíveis puxa alta de 0,58% no IGP-10
O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de janeiro teve forte influência do aumento nos combustíveis, anunciado pela Petrobras no fim de novembro. O indicador subiu 0,58% e segundo o superintendente-adjunto de Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Salomão Quadros, em dezembro apenas um terço dos aumentos de 8% no diesel e de 4% na gasolina foram captados pelo índice.
“O que fez o IGP-10 subir em janeiro foi um impacto ocorrido em dezembro. Isso faz muita diferença. Agricultura e matérias-primas estão começando a cair um pouco”, disse Quadros.
Apesar da expectativa de que a partir do próximo mês o reajuste feito em novembro não tenha mais influência sobre o índice, um novo aumento, dessa vez de 15% no óleo combustível, confirmado pela Petrobras, deve aparecer. Para Quadros, a maior influência deverá ser na indústria.
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“O óleo combustível não tem o mesmo impacto que diesel e gasolina, mas o aumento foi expressivo e deve atingir a indústria. É possível que, ainda assim, o IGP tenha trajetória declinante, mas não vai repetir taxas tão baixas como as observadas nos primeiros meses de 2013. É possível que haja suave elevação da taxa do IGP em 12 meses, mas não acho que chegue a 6%”, afirmou Quadros.
O óleo combustível tem peso de 0,81 no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). No IGP-DI, no fim de janeiro, o impacto do aumento do óleo combustível deverá ser, aproximadamente, a metade do impacto que o óleo diesel trouxe no IGP-DI de dezembro.
Na formação do IPA-10, a maior pressão veio dos combustíveis, seguida dos preços de alimentos processados. Entre os itens que ajudaram a conter a taxa estão as matérias-primas agropecuárias, que neutralizam o impacto dos combustíveis. O primeiro recuou 0,13% na passagem de dezembro para janeiro, enquanto o último cresceu 0,13%. “Mas como o índice acelerou, há outros focos de pressões, como alimentos processados, carne bovina, que teve alta de 3,96% em janeiro”, disse Quadros.
Alimentos in natura por sua vez seguem em queda no IPA, o que não é habitual em janeiro. O tomate, por exemplo, está com queda de 18,8% em janeiro. “Isso vai dar uma suavizada na inflação ao consumidor, o que pode levá-la a um nível menor no fim de janeiro deste ano do que o observado em igual mês de 2013”, avaliou o economista do Ibre. As matérias-primas agropecuárias seguem em desaceleração em janeiro.
Já no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a maioria dos movimentos de queda observados no IPA ainda não foram sentidos. “Por mais que as matérias-primas agrícolas estejam desacelerando no IPA, isso não esta chegando ainda no IPC. Gêneros alimentícios estão subindo 1,08% em janeiro, e estavam com aumento de 1,10% em dezembro. Alimentação fora de casa também está com alta de 0,78% e no mês passado já tinha subido 0,64%”, afirmou Quadros.
A economista Adriana Molinari, da Tendências Consultoria, lembra que começo de ano é tradicionalmente uma época de alta nos preços de alimentos no varejo, principalmente por conta dos produtos in natura, que sofrem com as chuvas. “Podemos esperar neste ano apenas avanços menores que os registrados no ano passado”, afirma ela, lembrando que nos primeiros meses de 2013 os preços refletiam os choques derivados de problemas climáticos.
A desaceleração nos alimentos nos últimos meses, diz o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, é uma devolução da alta vista em 2012, quando os preços dos grãos dispararam devido à quebra de safras nos EUA, Brasil e Argentina. Para ele, o recuo no atacado vai ter reflexos sobre o varejo com alguma defasagem, mas o repasse não será na mesma intensidade. “Os alimentos no varejo embutem uma série de custos que não existem no atacado, como frete e a margem de lucro dos supermercados.”





















