Brasil Foods prepara plano para investir em áreas que devem ser vendidas para repor capacidade de produção que será perdida.
Planos da BRF
A BRF-Brasil Foods tem plano para revitalizar e investir nas fábricas de Herval D’Oeste e Videira, ambas no Meio-Oeste catarinense. Depois da decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que confirmou a fusão de Sadia e Perdigão e determinou a relação de unidades que serão postas à venda, a companhia trabalha em um processo de investimento no parque fabril, do qual as duas unidades fazem parte.
A informação foi confirmada pelo vice-presidente de Assuntos Corporativos da companhia, Wilson Mello Neto. O executivo não informou o prazo para a realização dos investimentos e disse que a empresa ainda estuda que unidades serão ampliadas. O objetivo é repor parte da capacidade que será perdida com a alienação dos bens imposta pelo Cade como condição para a fusão de Sadia e Perdigão.
Na metade do mês, a BRF-Brasil Foods anunciou a aquisição total da planta de abate de suínos construída em parceria com a Copercampos na cidade de Campos Novos, na mesma região. A unidade irá absorver os abates hoje realizados em Herval D’Oeste, fábrica que está nos planos de ampliação da companhia.
Apesar da promessa de investimento, Herval D’Oeste, com 22 mil habitantes a 420 km de Florianópolis, teme a perda de repasses do ICMS no valor adicionado gerado pela BRF no município. Segundo o prefeito Nelson Guindani (PP-PSD), a movimentação financeira da empresa caiu 70% de janeiro a agosto. O valor é base de cálculo para o repasse futuro do imposto à prefeitura.
O valor de ICMS adicionado é calculado com base em todas as saídas de mercadorias e serviços prestados no município, abatendo o valor de entrada. Com a transferência da sede para Itajaí, no litoral catarinense, a BRF tem registrado a saída dos produtos das cidades do Meio-Oeste com preço de custo. Assim, apesar de o produto passar por industrialização na cidade, o movimento é registrado em outro município.
Segundo Guindani, a empresa tem sido parceira para buscar uma solução. A unidade da BRF é responsável por 75% de todo o movimento econômico agropecuário de Herval D’Oeste. A unidade emprega cerca de 1,4 mil funcionários, processa suinos e opera com 200 produtores integrados na cidade.
Se a situação do ICMS não for revertida, o município pode perder um valor importante para uma prefeitura que tem orçamento anual de R$ 2,2 milhões. “Se não houver uma mudança, vai inviabilizar o município”, disse. Videira, Capinzal e salto Veloso também passam pelo mesmo problema.
Segundo o vice-presidente da BRF, Wilson Mello, o problema está sendo discutido junto com as prefeituras e a empresa deve realizar uma reunião junto com a secretaria estadual da Fazenda de Santa Catarina para tentar equalizar o assunto.
Em Lages, onde a fábrica de pizzas e pratos prontos com 550 funcionários também está na lista de bens alienados, há apreensão entre os trabalhadores. segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados, Bebidas e Alimentação de Lages (Sintial), Leocir José Deon.
Ele conta que há uma cooperativa de crédito ligada à empresa, onde muitos trabalhadores têm financiamento de casa própria e outros empréstimos. Há preocupação também com o futuro do plano de previdência privado mantido pela empresa. O presidente do Sindicato reclama do pouco envolvimento da prefeitura e do governo do Estado na garantia dos empregos e dos benefícios atuais dos trabalhadores.





















