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Agroindústria

O que a passagem de Galeazzi pelo Pão de Açúcar mostra à BRF

O melhor cartão de visita de Galeazzi é a reestruturação do Grupo Pão de Açúcar.

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O que a passagem de Galeazzi pelo Pão de Açúcar mostra à BRF

Diretores e gerentes da BRF, maior fabricante de alimentos processados do Brasil, não terão vida fácil nos próximos meses. Cláudio Galeazzi, o novo presidente da empresa, é conhecido por cortar custos e cabeças em busca de resultados. E o seu melhor cartão de visita é a reestruturação do Grupo Pão de Açúcar.

Galeazzi é o fundador da Galeazzi e Associados, uma consultoria especializada em reestruturação de empresas. Em seu portfólio, está a recuperação de companhias como a Mococa, Artex e Lojas Americanas.

Mas o novo presidente da BRF chamou, mesmo, a atenção do mundo dos negócios ao cair nas graças de Abilio Diniz, então controlador do Grupo Pão de Açúcar. A parceria começou em julho de 2007, quando Galeazzi foi contratado por Diniz para reestruturar a bandeira fluminense Sendas.

“Mão na massa” – O estilo “mão-na-massa” de Galeazzi fez o consultor mergulhar no Sendas, dedicando-se em tempo integral ao projeto. De prático, o executivo cortou custos, pesquisou a vizinhança das lojas para determinar o mix de produtos de cada uma, bem como sua faixa de preço. O resultado foi um aumento da margem de geração de caixa de 1,4% para 3,5% entre o segundo e o terceiro trimestres daquele ano.

O desempenho chamou a atenção de Abilio, que o convidou para presidir o Pão de Açúcar. Galeazzi assumiu o comando em 11 de dezembro de 2007. A empresa que encontrou vivia uma espécie de letargia. Havia perdido a liderança do mercado de varejo para o Carrefour no ano anterior, quando os franceses compraram o Atacadão. Apresentava custos operacionais acima da média do setor, e o faturamento crescia a passos de tartaruga.

O primeiro ponto atacado por Galeazzi foram os custos. Para tanto, nos cinco primeiros meses, o executivo demitiu 300 funcionários, dos quais, 80 diretores. Os cortes concentraram-se na estrutura administrativa, financeira, de logística e back office, a fim de eliminar sobreposições.

Metralhadora no pescoço – Outra medida foi controlar rigorosamente o caixa da companhia. Na época, a postura de Galeazzi chegou a ser comparada à de alguém que “senta sobre o caixa com uma metralhadora no pescoço”.

Quando assumiu o Pão de Açúcar, no final de 2007, os diretores da rede tinham autonomia para contratar consultorias, o que gerava projetos e estudos redundantes. Estima-se que, naquele momento, 40 projetos estavam em andamento. Ao unificar a gestão do caixa, Galeazzi cortou essas liberdades e conseguiu reduzir as despesas com consultoria em 20% em apenas três meses.

Na área operacional, Galeazzi repetiu a fórmula que havia adotado na reestruturação do Sendas. Cada loja recebeu um mix próprio de produtos, baseado no tipo de concorrente que tinha na vizinhança. A arrumação das gôndolas também variava em cada loja, seguindo esse mesmo princípio.

Números para mostrar – Essas medidas iniciais despertaram otimismo no mercado, sustentado por bons números. No primeiro trimestre de 2008, por exemplo, os resultados apontaram um crescimento de vendas de 8,5% no quesito mesmas lojas, sobre igual período do ano anterior – era o melhor resultado em cinco anos até ali.

Em 2008, o primeiro ano do Pão de Açúcar sob Galeazzi, o faturamento somou quase 21 bilhões de reais, um salto de 18% sobre 2007 e um sopro no ânimo da empresa. Ao final, as vendas mesmas lojas estavam 8,5% maiores.

Seu último ato foi preparar seu sucessor – algo que já fora acertado com Diniz no momento de sua nomeação. O escolhido foi anunciado em 14 de dezembro de 2009: tratava-se de Enéas Pestana, que assumiu a presidência do Pão de Açúcar em março de 2010 e ali permanece até hoje.

Agora, essa obsessão por custos e resultados será sentida pelos diretores e gerentes da BRF. É claro que a empresa não se encontra na mesma letargia do Pão de Açúcar, quando foi assumido por Galeazzi, mas a tesoura do executivo tem espaço para atuar. O motivo é simples: eliminar as eventuais sobreposições geradas pela fusão da Sadia com a Perdigão, que culminou na criação da BRF.

No comunicado em que a BRF confirmou a nomeação de Galezzi, um número já sinaliza a tônica do novo presidente. Seu plano de ação propõe medidas que devem gerar um resultado operacional de 1,9 bilhão de reais a partir de 2016. Diante da firmeza com que Galeazzi demite quem não apresenta resultados, é possível que alguns altos executivos da BRF não estejam mais na empresa quando este ano chegar.

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