Com resultados ruins nos três primeiros meses do ano, a Suzano Papel e Celulose enxerga um horizonte melhor para os próximos trimestres.
Suzano traça cenário otimista com base na recuperação de preço

Com resultados ruins nos três primeiros meses do ano, a Suzano Papel e Celulose enxerga um horizonte melhor para os próximos trimestres. A perspectiva mais otimista se deve, segundo a direção da empresa, a uma virada nos preços de celulose que estão se recuperando mais rapidamente que o previsto do tombo no fim de 2011.
A Suzano não divulga seus preços, mas afirmou ter fechado contratos em maio para exportação de celulose com aumento de US$ 30 por tonelada. Como referência da oscilação nos últimos tempos, a empresa cita o preço praticado na Europa, que estava em US$ 850 por tonelada no início de 2011, chegou a cair a US$ 650 em dezembro e só agora, em maio, está em US$ 800 a tonelada.
“O cenário está bem melhor do que imaginávamos no ano passado”, disse o diretor financeiro, Alberto Monteiro. Ele explica que a empresa reforçou o caixa (em R$ 3,6 bilhões ao fim do primeiro trimestre) para se preparar para um período mais estendido de baixa nos preços. A estratégia também foi de apresentar maior liquidez para fazer frente ao alto endividamento. Ao fim de março, a dívida bruta da companhia chegou a R$ 9,3 bilhões, dos quais R$ 2,01 bilhões vencem em 2012 e estão sendo renegociados com os bancos. A dívida líquida subiu 11,2% em relação ao primeiro trimestre de 2011, para R$ 5,74 bilhões. O nível de alavancagem, calculado pela relação da dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) também aumentou na mesma base de comparação, de 3,3 vezes para 4,8 vezes. Mesmo com os altos índices de endividamento, a empresa afirma que a situação ainda está “tranquila” e que não pretende se desfazer de ativos no curto prazo.
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O câmbio também desempenha um papel importante para o cenário mais positivo da empresa, que tem cerca de 60% da receita atrelada ao dólar. O presidente da companhia, Antonio Maciel Neto, avalia que um valor ideal para a Suzano seria algo acima de R$ 2. No entanto, ele se mostra satisfeito com a evolução do dólar médio usado pela empresa, que passou de R$ 1,67 no ano passado para R$ 1,77 no primeiro trimestre. “Agora a gente está voltando a um ponto de equilibrio do ponto de vista da nossa competitividade.”
O balanço do primeiro trimestre veio recheado de números negativos. O lucro caiu 50% na comparação com o mesmo período de 2011, em R$ 71,8 milhões. O Ebitda recuou 32,6%, para R$ 238,2 milhões. A receita líquida teve uma queda mais modesta na mesma base de comparação: 1,9% para R$ 1,04 bilhão, o que explica a diminuição de 10,4 pontos percentuais na margem Ebitda (de 33,4% para 23%). Segundo Maciel, essa queda se deveu essencialmente a esses dois fatores: queda nos preços da celulose e câmbio baixo.
O impacto do preço da celulose pode ser observado pela diferença do resultado em receita e volume. Enquanto o volume vendido subiu 3,9% (448 mil toneladas frente a 431 mil toneladas no primeiro trimestre de 2011) a receita de celulose passou de R$ 512 milhões para R$ 450 milhões. A diferença também foi sentida em papel, cujo volume subiu 12,4%, para 277 mil toneladas, e a receita cresceu 7,8%, somando R$ 587 milhões.





















