Comitê afirma que o Brasil entrou em recessão econômica no 4º semestre de 2008.
Comitê afirma que Brasil entrou em recessão no quarto trimestre
A economia brasileira iniciou no quarto trimestre do ano passado um período de recessão que encerrou o mais longo ciclo de expansão desde a década de 80. Entre o terceiro trimestre de 2003 e o terceiro trimestre do ano passado, foram 21 trimestres consecutivos de expansão econômica. Os dados foram divulgados pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), que apresentou hoje a primeira determinação dos ciclos da economia brasileira.
Criado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o Codace conta com sete membros independentes e segue o modelo criado pelo Comitê de Datação dos Estados Unidos, criado em 1978 pelo National Bureau of Economic Research (NBER). O NBER é o órgão que determina oficialmente quando os EUA entram em recessão.
A economista Marcelle Chauvet, da Universidade da Califórnia e relatora do estudo, ressalta que, no modelo adotado, a definição de recessão não é apontada apenas por dois trimestres seguidos de queda do Produto Interno Bruto (PIB) – modelo mais usado -, mas também pelo conjunto de uma série de indicadores, como dados do mercado de trabalho e da produção industrial.
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“Nos Estados Unidos, duas quedas consecutivas não são usadas como parâmetro para definir recessão. Pode haver crescimento do PIB dentro de um período recessivo”, disse Marcelle, lembrando que a atual recessão começou nos Estados Unidos no final de 2007, quando o PIB ainda registrava alta.
O crescimento do PIB brasileiro acumulado nos 21 trimestres de expansão foi de 29,9%, inferior apenas aos 30% acumulados nos 17 trimestres da expansão entre o segundo trimestre de 1983 e o segundo trimestre de 1987.
Entre as recessões acumuladas no espaço de tempo analisado pelo Codace, a mais longa foi entre o segundo trimestre de 1989 e o primeiro trimestre de 1992, período em que o recuo acumulado do PIB foi de 0,9% em 11 trimestres. Já a recessão mais profunda foi do primeiro trimestre de 1981 ao primeiro trimestre de 1983, quando houve queda acumulada do PIB de 8,5% em nove trimestres.
Marcelle afirmou que o levantamento divulgado hoje não significa que o Codace acredite em uma queda do PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano, apesar de o ciclo recessivo ter que durar ao menos seis meses para ser considerado como tal.
O economista João Victor Issler, da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da FGV e membro do Codace, lembrou que a metodologia não considera apenas o PIB como fator determinante para a recessão. “Mesmo que o PIB do primeiro trimestre seja de alta, não vamos mudar de opinião”, garantiu Issler.
O Codace foi criado no final de 2004 e não há periodicidade esperada para as divulgações do Comitê. De acordo com Vagner Ardeo, vice-diretor do Ibre/FGV, haverá o acompanhamento constante da economia brasileira pelo Codace, mas uma nova divulgação dependerá de uma mudança no ciclo econômico.
Ardeo, que não faz parte do Comitê, revelou que um dos objetivos é retroceder na análise dos ciclos, de forma a caracterizar o comportamento da economia brasileira para períodos anteriores à década de 80. “Nos Estados Unidos, eles conseguiram retroceder até 1857”, revelou.
Regis Bonelli, economista do Ibre/FGV e integrante do Comitê, explicou que um dos objetivos do grupo é conseguir apurar os dados de forma a detalhar as informações por mês e não por trimestres, como atualmente.





















