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Para frear a queda do dólar

Governo prepara medidas para conter entrada de dólar. Títulos da dívida em reais serão emitidos no exterior para conter fluxo de dólares.

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Após taxar a entrada de dólares, o governo Lula se concentra agora em medidas que façam com que os investidores estrangeiros não precisem trocar dólares por reais para realizar suas aplicações no Brasil.

Entre as medidas que devem ser adotadas pela equipe econômica estão a retomada, pelo Tesouro Nacional, de emissões no exterior de títulos da dívida pública em reais e a autorização para que investidores na Bolsa possam depositar suas garantias fora do País.

Os títulos em reais, emitidos inicialmente em 2005, permitem que os investidores externos comprem esses papéis lá fora, e não no Brasil, como é feito hoje nos leilões do Tesouro Nacional. Nessas operações, os investidores ganharão praticamente a mesma rentabilidade se estivessem aplicando em títulos públicos no Brasil. Ou seja, recebem a variação da inflação e também a cambial.

Hoje, uma das pressões sobre o dólar vem da busca dos investidores estrangeiros por títulos brasileiros, que pagam juros mais altos do que os do mercado internacional e ainda ganham com a variação cambial, já que a tendência é de apreciação do real ante o dólar.

O aumento nas emissões soberanas já foi discutido, e o momento da venda depende só das condições do mercado internacional. A piora nas últimas duas semanas fez com que o governo adiasse seus planos, mas há uma decisão de adotá-los.

Hoje há um estoque de R$ 10,2 bilhões de títulos em reais na mão de investidores no exterior, e a última captação feita pelo Tesouro foi em 2007, antes da crise global. Esse valor é baixo e representa só quase 13% da dívida externa do País.

A outra medida que deve ser autorizada em breve atende a um pedido da Bolsa de Valores. Sempre que um investidor estrangeiro opera no mercado futuro, tem que depositar garantias. Para isso, traz dólares para o País e os troca por reais. Essa operação deixará de ser feita se as garantias ficarem numa conta da Bolsa no exterior.

Por último, o Banco Central trabalha num projeto de lei que autorize os bancos brasileiros a emitir debêntures, que são papéis com vencimento de longo prazo. Hoje, a captação dos bancos é feita por meio de CDBs, que podem ser resgatados diariamente.
Os recursos que os bancos usam para empréstimos mais longos, especialmente o crédito consignado, têm origem principalmente no exterior. O governo crê que, com o uso das debêntures, poderá transferir parte da captação que é feita no exterior para dentro do Brasil. Com isso, evitaria a entrada dos dólares.

A avaliação do governo é que essas medidas não vão alterar de modo significativo a trajetória de apreciação do real. A tendência de entrada de dólares se manterá forte pelos próximos dois ou três anos.

O objetivo do governo é aumentar a flexibilidade para que os investidores internacionais possam fazer suas aplicações lá fora e reduzir pelo menos um pouco o fluxo de entrada de dólares no País.

O risco, segundo a própria equipe econômica, é que, em vez de criar mecanismos que substituam a entrada de investidores estrangeiros que já aplicam no País, essas medidas criem uma nova demanda. Ou seja, aplicadores que hoje não trazem recursos para o Brasil aproveitariam essas facilidades para comprar títulos brasileiros. Se isso ocorrer, o impacto no câmbio é virtualmente nulo.

A outra discussão, principalmente sobre os depósitos das garantias à Bolsa de Valores no exterior, é jurídica. O governo quer ter certeza de que poderá trazer o dinheiro para o Brasil sem nenhum empecilho.

Apesar de não ter meta para a taxa de câmbio, o governo quer evitar que o preço do dólar caia para a faixa de R$ 1,30 a R$ 1,40. O ideal seria ficar no patamar atual, na casa de R$ 1,70. Ontem (04/11), fechou a R$ 1,728, acumulando queda de 26% no ano.

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