Nos últimos dez anos, a produção mundial de carnes cresceu a uma taxa média de 2,4% ao ano, impulsionada pelo processo de urbanização da população de países emergentes, especialmente a China.
Queda das exportações preocupa setor de carnes
Redação (18/12/2008)- A forte queda das exportações de carnes em novembro, provocada por efeitos da crise de crédito e da paralisação das atividades do Porto de Itajaí (SC), acende a luz amarela para o comportamento das vendas externas do setor de alimentos nos próximos meses. A falta de liquidez internacional não deixou de fora os importadores das carnes brasileiras, que renegociam preço e reduzem as compras, especialmente a Rússia. Para um segundo momento da crise, não está descartada a possibilidade de diminuição no volume total das importações, desta vez em resposta à perspectiva de queda na demanda por proteína animal.
Nos últimos dez anos, a produção mundial de carnes cresceu a uma taxa média de 2,4% ao ano, impulsionada pelo processo de urbanização da população de países emergentes, especialmente a China, conforme destaca relatório da Ativa Corretora. Por apresentar uma demanda menos elástica do que produtos considerados menos essenciais, espera-se que o consumo mundial de alimentos não acompanhe um movimento de desaceleração ou retração no PIB na mesma proporção. Mas é fato que alguns segmentos sofrerão mais do que outros com a crise.
Os frigoríficos com forte atividade exportadora tendem a ser afetados de forma mais intensa pelo efeito da redução do ritmo de crescimento da economia global. Na avaliação da Ativa, com a previsão de provável recessão em diversos países desenvolvidos no próximo ano, assim como a desaceleração do crescimento das economias emergentes, o comportamento do consumidor deve mudar diante da redução da renda disponível, resultando na queda da demanda por carne bovina, que poderá ser substituída por alimentos de menor valor.
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O segmento de bovinos, aliás, foi o primeiro a ser atingido pela queda de braço na negociação de preço de exportação. E os dados das exportações de novembro mostraram que o volume também começa a sentir. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne bovina caíram 42,8% no mês passado, em relação ao mesmo período de 2007, de 89 mil para 56 mil toneladas.
Enquanto a queda nos embarques de carne suína e de frango foram diretamente impactadas pela suspensão das atividades do Porto de Itajaí, que está fechado desde o último dia 21 em virtude das fortes chuvas que atingiram o Estado, a retração nas exportações de carne bovina não teve essa motivação.
Exportações
A carne suína teve uma queda semelhante no volume das exportações em novembro, da ordem de 53,6% na comparação anual, segundo dados da Secex. Já a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) contabilizou uma queda de 48%, para 27,47 mil toneladas embarcadas em novembro último.
O presidente da entidade, Pedro de Camargo Neto, atribuiu parte da queda expressiva aos problemas no porto catarinense. No ano passado, Itajaí respondeu por 55% dos embarques. Para minimizar os efeitos dos problemas logísticos, as empresas procuraram redirecionar suas cargas para outros portos, como São Francisco e Rio Grande. Mas esse problema pontual não é o único enfrentado pelas indústrias. Segundo ele, a crise financeira global prejudica o comércio exterior em função do corte drástico de linhas de crédito e pela alta volatilidade das moedas, que prejudica o fechamento de contratos.
Com as dificuldades, a Abipecs admite a possibilidade de "moderada" retração da demanda, que do ponto de vista de rentabilidade deve ser compensada por custos mais baixos. Para as exportações, a entidade espera a manutenção das vendas externas no patamar de 600 mil toneladas.
Por ser uma proteína animal mais barata, o consumo de carne de frango deve ser o menos afetado pela crise. Isso significa que, no médio prazo, pode haver a migração do consumo de carne bovina para a de frango. Além disso, a valorização do dólar torna o produto brasileiro mais competitivo frente ao produto americano. No entanto, a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef) reviu sua projeção para as exportações do produto em 2009. A Abef estima agora um crescimento de 5% nas vendas, ante os 15% esperados anteriormente.
Novos Mercados
Temendo um primeiro trimestre mais difícil, a Abef está estimulando os seus membros a reduzir em aproximadamente 20% o alojamento de pintinhos, com a finalidade de adequar os estoques à nova realidade do mercado. Além disso, a associação quer investir na conquista de novos mercados para o frango brasileiro, como Índia, China continental, Indonésia, Malásia e México.
No curto prazo, a crise de crédito que atingiu os países importadores, principalmente a Rússia, prejudica os resultados. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), foram exportadas 220 mil toneladas em novembro, ante 315 mil toneladas em outubro, o equivalente a uma queda de 30%. Em comparação a novembro de 2007, a retração é de 22% nas exportações de carne in natura, de acordo com a Secex. A expectativa da entidade para as vendas externas no mês passado era de 320 mil toneladas.
Esse resultado deve-se principalmente aos problemas em Santa Catarina, pois o Porto de Itajaí é responsável por 40% das exportações de frango brasileiras, no mínimo. A Sadia, a maior exportadora de aves do País, diz que não houve prejuízo financeiro à companhia, e que os danos foram mais do ponto de vista de cronograma, pois a empresa teve de se organizar para redirecionar os embarques para outros portos, como Paranaguá, no Paraná, e São Francisco, em Santa Catarina.
Desta forma, o atraso nos embarques deve ser compensado no mês seguinte. O diretor vice-presidente de Operações da empresa, Valmor Savoldi, afirma que se o balanço do quarto trimestre da Sadia mostrar queda nas exportações, será pela escassez de crédito ocasionada pela crise internacional, não em razão dos problemas em Itajaí. Ele disse à Agência Estado que a companhia perdeu 700 toneladas de frango por conta das inundações, mas ressaltou que essa perda será compensada pela seguradora. A Sadia embarca aproximadamente 20 mil toneladas por mês de aves a partir do porto de Itajaí, aproximadamente 20% do total de suas exportações.
Ainda de acordo com Savoldi, os trabalhos de recuperação do porto de Itajaí estão acelerados e há expectativa de que ele volte a operar parcialmente a partir do dia 20 de dezembro. E a Sadia deve, aos poucos, retomar as vendas externas pelo porto.





















