O avanço foi reflexo da boa interpretação feita por analistas e investidores sobre a negativa feita pelo governo americano.
Revés nos EUA determina forte alta das ações da JBS
Redação (22/10/2008)- Neste mês, no ano, nos últimos 12 meses e também desde sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), as ações da JBS apresentam desempenho sempre inferior ao do Ibovespa. Ontem, em contrapartida, um dia depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos decidir barrar a compra da National Beef pelo frigorífico brasileiro, suas ações ON encerraram em alta de 10,38%, a R$ 3,40. O principal índice da Bovespa recuou 1,01%. Foi o segundo melhor desempenho da bolsa brasileira no dia.
O avanço foi reflexo da boa interpretação feita por analistas e investidores sobre a negativa feita pelo governo americano – ainda que JBS e U.S. Premium Beef, que controla a National Beef, tenham reiterado que tentarão reverter o bloqueio. O impedimento ao negócio, apoiado também pelas procuradorias de 13 Estados americanos, foi justificado com o temor de que mais de 80% do mercado de processamento de carne dos EUA ficaria nas mãos apenas de JBS, Cargill e Tyson Foods.
"Estamos em um momento difícil da economia, com escassez de crédito. Quem tem dinheiro em caixa tem que esperar até que o pior passe. Como a compra foi barrada, a JBS pode ficar com mais recursos para enfrentar as turbulências", diz André Nardini, analista da corretora Terra Futuros. "Ela é uma empresa arrojada. Nada impede que volte às compras no futuro, mas o momento atual não é o mais adequado".
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Em um cenário de oferta mais apertada de crédito, o frigorífico brasileiro teria maiores dificuldades para efetivar seu crescimento nos EUA, acreditam os analistas. Em março, quando o acordo de compra da National Beef foi divulgado, a proposta apresentada foi de aporte de US$ 560 milhões, além de ssunção de dívidas, o que elevaria a operação para US$ 970 milhões.
"As operações nos Estados Unidos têm margens mais apertadas que as do mercado brasileiro. O mercado está olhando mais para o resultado da empresa, e não tanto para o tamanho que ela poderá ter. Os custos nos EUA são mais elevados", diz Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria.
Em relatório, o banco UBS Pactual afirmou que, embora fosse preferível que toda a operação fosse completada agora – a compra da Smithfield, também anunciada em março, foi aprovada – "acreditamos que, dadas as atuais condições de mercado, é melhor ter dinheiro em caixa".
De acordo com uma fonte da JBS, o impasse na Justiça americana deverá se estender por um período entre cinco e seis meses.





















