Protesto em Buenos Aires foi atrasado após ex-presidente convocar contramarcha no mesmo horário.
Ruralistas mudam ato para evitar Kirchner
Redação (15/07/2008)- Em meio ao confronto entre o governo argentino e o setor ruralista que já dura quatro meses, os líderes agropecuários tiveram que atrasar em uma hora e meia o protesto que realizariam hoje às 15h, no Monumento aos Espanhóis, em Buenos Aires, para evitar o confronto com militantes governistas que promovem uma manifestação no mesmo horário, em frente ao Congresso.
Os eventos rivais do dia de hoje, que já está sendo chamado de "superterça", acontecem na véspera da votação no Senado do projeto de lei que determina o aumento de impostos sobre as exportações de grãos e que provocou a atual crise.
"Houve uma mudança de horário para evitar fatos desagradáveis durante a marcha", disse o presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi. Um dia após os ruralistas anunciarem o seu ato, o ex-presidente Néstor Kirchner, atual dirigente do Partido Justicialista (peronista), convocou uma manifestação simultânea, vista como provocação.
Após três meses de confronto, a presidente Cristina Kirchner enviou o projeto de lei que determina o aumento de impostos para o Congresso. As manifestações de hoje são uma forma de pressionar os legisladores para a votação de amanhã, ainda indefinida.
Apesar de, na teoria, ter maioria nas duas Casas, o governo está sendo acusado de comprar votos e oferecer cargos a legisladores em troca da aprovação da lei. Segundo a revista "Noticias", mais de 2 bilhões de pesos (R$ 1 bilhão) teriam sido gastos na ação.
Os dois atos pretendem reunir milhares de pessoas. Para evitar que o evento do campo seja maior do que o oficialista, Néstor Kirchner teria pedido a simpatizantes que dificultassem o acesso de ruralistas à capital, segundo o jornal "Perfil". A central sindical CGT decretou folga a partir de 12h para que seus milhares de afiliados participem do ato do governo.





















