OCDE faz projeções sobre a produção agrícola e pecuária do Brasil para 2016. Segundo a entidade, o País venderá mais carnes que todos os seus concorrentes juntos.
Brasil: potência agrícola em 10 anos
Redação (24/10/07) – O Brasil será o maior exportador de soja do mundo em 2009 e, em 10 anos, venderá mais carne que todos os seus concorrentes juntos. As projeções são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que destaca o crescimento "espetacular" da agricultura brasileira nos próximos 10 anos. A entidade, porém, não esconde seu temor pelo impacto que esse crescimento terá sobre o meio ambiente. Para a OCDE, o País tem a "difícil tarefa" de resolver o dilema entre proteger as florestas e aproveitar as oportunidades de negócios. Outro problema está sendo a concentração cada vez maior de terras que nem a reforma agrária poderá reverter.
As projeções para agricultura mundial até 2016 não deixam dúvida de que o futuro do etanol definirá o volume de terra que será destinado aos demais setores e mesmo definirá o preços das commodities. Nesse cenário, a OCDE estima que o Brasil tem tudo para avançar em termos de produção. Segundo as projeções da entidade, as exportações do País devem promover o "retorno de um sólido crescimento no Brasil", com taxas do PIB beirando 4% por ano até 2016. Nem mesmo o real valorizado deve ser um problema para a expansão das exportações nacionais de produtos agrícolas.
A OCDE, porém, não descarta que a demanda internacional pelos alimentos brasileiros possa acabar gerando inflação no País. Outra preocupação da entidade é com o impacto da expansão agrícola do Brasil no meio ambiente. "As autoridades brasileiras se confrontam com a difícil barganha entre os benefícios econômicos da expansão agrícola e os benefícios ambientais da preservação da floresta", afirma o relatório, que destaca que a Amazônia é apenas um desses dilemas. "O impacto dos pesticidas e do uso agrícola da água sobre os recursos são outras preocupações geradas pelo sistema produtivo no Brasil", alerta a OCDE.
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Carnes
Apesar disso, as projeções são de crescimento da produção em quase todas as áreas. No setor de carnes, por exemplo, o País vai chegar a 2016 superando o volume de todos os demais concorrentes juntos e dominará 28% da carne exportada no planeta. Isso significa um total de exportações superior às vendas combinadas de Estados Unidos, Canadá, Argentina e Austrália. Hoje, o País tem 23% desse mercado. Segundo as projeções, o mercado de carne deve aumentar no mundo em 7 milhões de toneladas até 2016. Já as vendas brasileiras devem adicionar outras 3 milhões de toneladas do mercado, chegando a 8,4 milhões de toneladas de carne.
O Brasil ainda irá superar as exportações dos Estados Unidos em soja até 2009 diante de seu crescimento de 3,9% por ano na produção. Em dez anos, a produção no País aumentará em mais de 54% e o Brasil responderá por 38% da produção mundial. A expansão ocorrerá tanto graças ao aumento da produtividade quanto da área plantada. Em termos de exportação, o País somará 18 milhões de toneladas até 2016. Na prática, o Brasil passará a ter 41% do mercado, contra a fatia de 30% que dispõe hoje. A OCDE lembra que os exportadores de soja são beneficiados no País por políticas tributárias.
Brasil, Índia, China e Rússia teriam uma participação cada vez maior na economia mundial e serão a chave para o desempenho positivo do cenário até 2016. Isso não significa que a questão do combate à pobreza no campo esteja resolvida no País. Segundo a OCDE, a expansão da agricultura no País beneficiou alguns fazendeiros pobres, mas outros foram submetidos a pressões cada vez maiores. "Isso levou muitos a migrar para zonas urbanas ou os tornando dependentes de ajudas sociais", alerta o relatório.
A OCDE também alerta que o crescimento das exportações brasileiras de produtos agrícolas pode perder o fôlego nos próximos 10 anos se o País não investir já em infra-estrutura.





















