Os preços das terras agrícolas no Brasil começam a indicar valorização, com a média paga em patamares semelhantes aos de 2004, quando ocorreu o chamado “boom da soja”.
Valor da terra volta aos níveis negociados em 2004
Redação (01/06/07) – Em 12 meses, cotação subiu 11,64% na média brasileira, impulsionadas pela cana-de-açúcar. Os preços das terras agrícolas no Brasil começam a indicar valorização, com a média paga em patamares semelhantes aos de 2004, quando ocorreu o chamado "boom da soja". A vedete desta alta, no entanto, é outra: a cana-de-açúcar. O preço médio de um hectare de terra em 2004 era de R$ 3.363 e hoje é de R$ 3.432. Segundo levantamento do Instituto FNP, em 12 meses, as cotações subiram 11,64% na média brasileira – impulsionadas pelo Sudeste, onde a valorização foi de 17%.
"A média brasileira foi influenciada por São Paulo, devido à cana-de-açúcar", diz Jacqueline Bierhals, analista da consultoria (ver box abaixo). Segundo o estudo, a valorização de áreas para canaviais, laranjais e cafezais compensou a perda média em regiões de grãos. Em Sinop (MT), por exemplo, as áreas valem 15% menos que há um ano.
Ela lembra, no entanto, que apesar de a média estar em valores próximos a 2004, na maioria dos estados ainda não chegou aos preços exorbitantes como naquela época. Em maio de 2004, um hectare era comercializado a R$ 8 mil no Paraná, com valorização de cerca de 30% em 12 meses. Hoje está perto de R$ 7 mil.
Leia também no Agrimídia:
- •Conflito no Oriente Médio coloca em alerta exportações de frango do Brasil
- •Preços dos ovos sobem até 15% e demanda aquecida sustenta altas no mercado
- •Crescimento do agro, expansão das cooperativas e oscilações de mercado marcam cenário recente do setor
- •Vigilância sanitária intensifica monitoramento após foco de influenza aviária em aves silvestres no RS
Na avaliação da analista, os preços devem se sustentar nestes patamares ou com leve tendência de alta. Segundo ela, a quantidade de negócios ainda é pequena e, diferente de 2004, não há um "aumento especulativo, com gente comprando sem planejamento". Além do "boom do etanol", Jacqueline acrescenta a recuperação dos preços dos grãos e uma possível reversão do ciclo pecuário como fatores determinantes para a valorização das áreas.
Segundo o estudo, metade das 10 regiões que mais se valorizaram em 12 meses estão no Amapá – isto porque os preços no estado são muito baixos R$ 228 o hectare. Destaque também para Alagoas, onde os preços subiram 84%, devido ao investimento no setor sucroalcooleiro. Mato Grosso do Sul e Goiás voltaram a figurar este ranking em decorrência do avanço dos canaviais. "Quando a cana chega, valoriza a região e reflete nas outras categorias", avalia.
Apesar da forte alta dos preços da terra para cana-de-açúcar, os maiores valores por um hectare são cobrados em Santa Catarina: R$ 27 mil em área de várzea de arroz. E os menores no Amapá R$ 26. Além da cana-de-açúcar, o café também impulsiona as cotações, como no Espírito Santo, onde em 12 meses as áreas valorizam-se 65,7%. Regiões de reflorestamento, como a de Pelotas (RS) também tiveram alta: 22,58% no período.
Quando avaliam-se os preços em 36 meses, mais uma vez o setor sucroalcooleiro é responsável pelas variações: as maiores altas ocorreram no Sudeste (24,5%) e no Nordeste (12,6%). As demais regiões tiveram desvalorização neste período. Com isso, a média nacional foi de 2,03%.
Das 10 regiões que mais se valorizam neste período, seis estão ligadas à cana-de-acúcar ou ao café. Na contramão, a desvalorização ocorreu em regiões de grãos.





















