Em busca de solução para pagamento de integrados, associação do Vale do Taquari (RS) vai interceder em favor dos produtores em audiência.
Caso Doux Frangosul
A Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), que reúne 40 prefeitos da região, vai marcar uma audiência com a direção da Doux Frangosul no Estado, a fim de discutir com a empresa uma solução para o atraso no pagamento dos produtores integrados. A decisão foi tomada em assembleia geral da entidade, realizada na sexta-feira à tarde na Prefeitura de Fazenda Vilanova. O encontro contou com a presença do presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, que falou aos chefes de Executivo sobre a situação dos criadores de frangos e suínos e das negociações com a Doux. Conforme Folador, há uma proposta sendo analisada. A empresa propôs fazer um financiamento em nome dos próprios integrados, do qual seria avalista, mas foi solicitado pelos credores que se apresente uma garantia real. Segundo ele, espera-se uma resposta para esta semana.
Folador, que solicitou e receberá apoio da Amvat em favor da categoria, revelou que há produtores com créditos que variam de R$ 100 mil a R$ 500 mil. A situação envolve também os transportadores. Com base em informações da própria Doux Frangosul, divulgadas em 2009, ele acredita que as dívidas, agora, fiquem entre R$ 12 e R$ 15 milhões. O presidente da Acsurs entende que somente havendo pressão será possível resolver o impasse, pois não vê possibilidade de o governo interferir ou injetar recursos para sanar as dívidas. Ele não acredita que a organização suspenda atividades. Pelo contrário, informou que o mercado de carnes está aquecido, tanto de frangos quanto de suínos, e disse ter informações extraoficiais de que a Doux estaria com um projeto de ampliação de abate e sua capacidade industrial. Ele estima que na região cerca de 300 famílias de produtores tenham valores a receber.
A situação foi relatada por vários prefeitos presentes na assembleia. Diógenes Laste, de Nova Bréscia, observou que há casos no seu município em que a empresa solicitou 150 dias para efetuar o pagamento e não saldou a dívida. Ele se mostrou preocupado com o futuro de integrados, que em alguns casos chegaram a investir R$ 600 mil na construção de aviários. Ricardo Flasch, de Poço das Antas, reforçou as colocações do colega de Nova Bréscia. Revelou que havia inclusive um cronograma de pagamentos estabelecido pela Doux, que acabou não sendo cumprido.
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Reestruturação definida
A Amvat deu mais um passo importante no projeto de reestruturação da entidade proposto pela atual diretoria. Ontem, os prefeitos aprovaram novos valores para a mensalidade a partir de janeiro do ano que vem. Será três vezes o que cada município contribui atualmente. O presidente Paulo Cezar Kohlrausch (PMDB) considerou importante a decisão dos chefes de Executivo, lembrando que ainda este ano a Amvat estará em sua nova sede, cedida pelo município de Estrela. Com mais recursos, segundo ele, será possível qualificar e proporcionar novos serviços aos filiados. “No início do ano conversei com muitos colegas e senti a fragilidade de ser prefeito. Nós trabalhamos com dedicação, procuramos resolver os problemas de todos. Mas temos também que resolver os nossos problemas”, enfatizou, salientando a importância de que haja uma entidade forte, que saiba aonde se quer chegar e que bandeiras abraçar em nível de região. Para o prefeito de Fazenda Vilanova, José Cenci (PP), o momento é importante para a associação, que a partir de agora poderá, em conjunto com outros colegas, discutir as ações que serão feitas daqui para frente.





















