James Sumner, representante da indústria americana da carne de frango, apresenta o seu ponto de vista sobre a competitividade da avicultura brasileira nesta entrevista exclusiva. Confira.
O frango brasileiro lá fora
Redação AI 15/01/2008James Sumner é presidente do USA Poultry & Egg Export Council e do International Poultry Council
Avicultura Industrial : Hoje o Brasil é o maior exportador de frango e está entre os grandes produtores de carne do mundo. O País deve exportar mais de 3 milhões de toneladas de carne de frango em 2007. De forma geral, como você avalia a Avicultura Brasileira e a qualidade do frango?
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James Sumner – O Brasil é, aliás, um dos maiores países produtores de carne de frango do mundo. Nós sempre reconhecemos que o Brasil produz frangos e seus produtos derivados com alta qualidade. O Brasil também é um competidor formidável no mercado de exportações por causa da vantagem no custo de produção. É difícil para os EUA competir em determinados tipos de produtos que requerem determinados tipos de processamento – como alguns cortes manuais de frango em tamanhos específicos ou toleráveis, assim como em certos tipos personalizados de embalagem (empacotamento). Infelizmente para os EUA, o Brasil dá mais ênfase as exportações do que nosso país. Apesar dos EUA produzirem duas vezes mais frango, o Brasil exporta um terço do seu total produzido, enquanto os EUA exportam por volta de 15% de sua produção total. Ultimamente, entretanto, o custo de produção do Brasil aumentou drasticamente por causa da venda de milho (não transgênico) para a Europa, o que levou a uma escassez do produto no País. Isto diminuiu ligeiramente a vantagem competitiva do Brasil. Uma vez que somos competidores, há muitas formas de nós trabalharmos juntos para enfrentar problemas comuns, como praticas comerciais desleais feitas por certos países, ou desenvolvendo políticas uniformes através das organizações como o Conselho Internacional de Avicultura. O Brasil e os EUA foram membros que fundaram a organização. Os países da Américas certamente tem uma vantagem em relação ao resto do mundo, que se refere à saúde animal, e todos os avicultores devem permanecer vigilantes para manter nossos dois continentes livres de doenças, em especial, doenças aviárias. Juntos nós podemos trabalhar para alimentar uma considerável parte dos 86% da população mundial que reside fora das Américas.
AI – E o comércio internacional de carne de frango? Como o mundo enxerga a produção de frango?
James Sumner – O frango é uma proteína animal que é aceita na maioria das culturas e religiões ao redor do mundo. Com o crescimento do preço dos grãos, o frango é de longe o mais eficiente conversor de alimento em proteína, o qual dá uma vantagem competitiva. Isto certamente é uma boa “arma” para a industria avícola mundial. Já que os suínos reinam absolutos na China e na Europa, nós podemos esperar para ver que o consumo global de frango vai continuar a crescer, a ponto de, na próxima década, se tornar a escolha predominante de carne na China, na Europa, e depois, no mundo.
AI – Como estão as exportações americanas de frango? Qual a estimativa do volume de exportações em 2007 para os EUA?
James Sumner – Pelos nove primeiros meses de 2007, o frango americano atingiu um novo recorde de exportação de 2,2 milhões de toneladas, e pode-se esperar atingir 2,9 milhões de toneladas até o fim de 2007, também um recorde de volume. Em valor, nos primeiro nove meses, as exportações atingiram $1,953 bilhões, e deve atingir $2,87 bilhões até o final de 2007. As perspectivas para o futuro permanece brilhante.
AI – Quem é o maior comprador de carne dos EUA?
James Sumner – A Federação Russa é o maior mercado exportador do frango dos EUA, mas as exportações para a China têm crescido muito rapidamente. Nós esperamos que nos próximos anos, a China se torne o mercado líder da avicultura americana.
AI – Hoje, quais mercados emergentes para a carne de frango dos EUA e Brasil?
James Sumner – As grandes oportunidades de exportações estão no continente africano. Mas a África também tem grandes obstáculos, incluindo a falta de infra-estrutura, como, por exemplo, a disponibilidade de galpões frios que poderiam acomodar um grande volume de produtos congelados. O maior mercado inexplorado pelo Brasil e EUA é sem dúvida a Índia, que mantém umas das políticas de importação mais restritivas do mundo. A população do país é de 1,1 bilhão, e o consumo por pessoa de carne de frango é minúsculo. Tanto o Brasil como os EUA deveriam trabalhar juntos para abrir este mercado.
AI – Qual país pode ser, no futuro, um grande competidor para o frango americano e brasileiro? Por quê?
James Sumner – Em curto prazo, nenhum país terá potencial para competir com os EUA e Brasil. Se o ótimo cinturão do milho do leste europeu, que compreende partes da Hungria, Ucrânia e mais uma parte do sudeste da Rússia, fossem um país, ele teria potencial para desafiar os EUA e o Brasil como um viável produtor de frango. Nas Américas, a produção Argentina está crescendo rapidamente, assim como a do Chile e México. Mas nenhum destes paises tem capacidade ou potencial de produção para ameaçar o Brasil e os EUA. A China tem algum potencial, mas sua população está crescendo rapidamente, perdendo terras cultiváveis. Este fator, além da produção interna insuficiente de grãos, o seu fraco registro de prevenção a doenças e segurança alimentar irão impedi-la de ser um competidor formidável.
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