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Venda de aves em feiras do DF está sob ameaça

O Sindicato dos Feirantes do DF (Sindifeira) recebeu uma notificação informando que a venda de aves vivas para consumo, nos moldes como ocorre hoje, está proibida.

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Redação (12/06/2008) – O cliente observa as galinhas que cacarejam atrás das grades. Ele aponta a escolhida e o comerciante abre a gaiola, pega o animal pelas patas e o entrega a um funcionário. Enquanto o vendedor e o comprador tratam do negócio, a ave é levada para um abatedouro nos fundos do comércio e volta embalada, pronta para ser consumida. Esse tipo de comércio é rotina em boxes distribuídos por várias feiras do Distrito Federal, mas está ameaçado.
O Sindicato dos Feirantes do DF (Sindifeira) recebeu uma notificação informando que a venda de aves vivas para consumo, nos moldes como ocorre hoje, está proibida. Quem não se adequar às novas regras será advertido e corre o risco de ter o comércio interditado, os animais apreendidos, arcar com multa de R$ 500 a R$ 2 mil e até mesmo ser preso. A notificação é o resultado de uma cobrança do Ministério Público local para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se manifestasse a respeito dos maus-tratos sofridos por animais em feiras. Isso levou a uma reunião em abril, com administrações regionais e órgãos do governo, onde a decisão de reformular o negócio foi tomada.
“A situação não pode continuar do jeito que se encontra hoje, com aves amontoadas em gaiolas e sendo abatidas de forma cruel”, apontou o analista ambiental e fiscal do Ibama, Anderson do Valle. “Os comerciantes têm costume de deixar os bichos sem comida ou água por dias e ainda os matam sem amortecer seus sofrimentos, como está na lei. Além disso, as vísceras e o sangue dos animais são jogados em lixos comuns ou abandonados. A carne também é vendida sem nenhum registro, o que é um crime de saúde pública”, explicou.
O diretor administrativo do Sindifeira, Marques Célio Rodrigues de Almeida, afirma que o segmento entrou em acordo com o Ibama no fim de 2006. “Pode ter uma exceção ou outra, mas temos seguido o que foi acertado. As aves são mortas com um golpe rápido na garganta, sem dor, e todos os restos mortais são tratados de forma higiênica”, garantiu. Segundo ele, os feirantes não foram consultados sobre a mudança e o fim do comércio de aves causará problemas para comerciantes e produtores. “Acho um absurdo acabar com esse tipo de comércio, que é realizado há séculos”, defendeu o ex-deputado distrital e presidente do PT-DF, Chico Vigilante, que tem apoiado os feirantes.

Apreensão
O analista ambiental do Ibama destacou que o segmento trabalha na clandestinidade. “Eles podem continuar a vender galinha caipira, desde que os animais sejam registrados e sacrificados em abatedouros credenciados no Ministério da Agricultura, com acompanhamento de fiscais”, acrescentou Anderson do Valle. A fiscalização dos boxes será realizada por agentes de órgãos de Vigilância Sanitária e do Ibama. Uma nova reunião, ainda sem data marcada, determinará o início das visitas das equipes às feiras.
O subsecretário de Defesa e Vigilância Sanitária do DF, Lucas Valim Orrú, reforçou que a finalidade da medida é garantir aos consumidores uma condição higiênico-sanitária que permita a compra de um produto com qualidade e seguro. “Do jeito que é hoje, o cliente tem condições de ver que o animal está vivo, mas não tem como saber se ele está bem ou não. Isso pode provocar problemas ao consumidor, como diarréia ou salmonela”, afirmou.
A notícia do fim do comércio de aves vivas deixou os feirantes apreensivos. Um casal que trabalha com esse serviço na Feira da Guariroba (Ceilândia) teme o desemprego. “Fazemos isso a mais de 30 anos. Não temos condição de trabalhar com outra coisa”, lamentou a feirante Antônia Lopes, 64. “Se acontecer, o jeito vai ser procurar outra coisa”, resumiu o marido dela, Ângelo Francisco da Silva, 66.
Segundo o abatedor de aves Joelino Santana da Silva, 38, a Feira da Guariroba perderia a maior parte dos clientes sem o serviço. “Vendemos em média 3,5 mil aves por semana. Seguimos padrões para garantir ao consumidor um produto de qualidade. Os animais são alimentados e têm água. As gaiolas são do tamanho estabelecido pelo Ibama e as mortes ocorrem da forma mais indolor e higiênica possível”, defendeu.

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