Entenda como a Guerra no Oriente Médio afeta os custos e os fluxos do comércio global de frango e a produção avícola
Guerra no Oriente Médio pressiona custos e ameaça fluxos do comércio global de frango

A intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel de um lado e o Irã do outro já começa a provocar reflexos na cadeia global da avicultura. Ainda que os impactos iniciais sejam considerados limitados, representantes do setor alertam que a continuidade ou intensificação da guerra pode gerar efeitos relevantes sobre custos de produção, rotas logísticas e fluxos internacionais de comércio de carne de frango.
A principal preocupação da indústria está relacionada às consequências indiretas do conflito, especialmente nos mercados de energia, fertilizantes e transporte internacional. Esses fatores exercem influência direta sobre a produção avícola, que depende fortemente de energia para aquecimento das granjas, processamento industrial e logística de distribuição.
Segundo informações do Conselho Internacional de Avicultura (IPC), o aumento da volatilidade nos mercados energéticos já começa a pressionar os custos operacionais de produtores em diversas regiões, principalmente na Europa.
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De acordo com a entidade, caso as tensões geopolíticas provoquem elevação sustentada nos preços do petróleo ou do gás natural, a tendência é de aumento adicional nos custos de produção da avicultura, impactando toda a cadeia de valor do setor.
Produtores europeus enfrentam primeiros efeitos nos custos de produção
A indústria avícola europeia está entre as primeiras a sentir os reflexos do cenário geopolítico. O aumento nos preços da energia e a instabilidade nos mercados de insumos agrícolas, especialmente aqueles ligados à produção de ração, já começam a gerar preocupações entre produtores e analistas do setor.
A produção de frango é particularmente sensível às variações de custos energéticos, uma vez que atividades como climatização de granjas, iluminação, processamento industrial e transporte demandam elevado consumo de energia.
Além disso, o mercado global de fertilizantes também pode ser afetado pela instabilidade no Oriente Médio, região que exerce papel relevante no fornecimento de insumos energéticos utilizados na fabricação desses produtos. Alterações nesse mercado podem repercutir diretamente na produção de milho e soja, principais matérias-primas utilizadas na formulação de rações para aves.
Duração do conflito pode ampliar impactos na cadeia avícola
Especialistas do setor ressaltam que a magnitude dos impactos dependerá principalmente da duração e da intensidade do conflito. Caso as tensões se prolonguem ou se intensifiquem, os efeitos negativos podem se ampliar ao longo do tempo.
Segundo Stig Munck Larsen, consultor-chefe do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação e presidente do Grupo de Trabalho de Comércio da AVEC, a escalada da guerra pode provocar desequilíbrios importantes no fornecimento de insumos essenciais para a cadeia produtiva.
Entre os fatores de risco estão a elevação dos custos de energia, possíveis aumentos nos preços da ração, encarecimento do transporte internacional e pressão inflacionária sobre salários e outros componentes de custo.
Na avaliação do especialista, esses elementos combinados podem elevar significativamente os custos de produção ao longo da cadeia da avicultura, afetando tanto produtores quanto a indústria de processamento.
Rotas comerciais sob pressão podem alterar fluxos de exportação
Outro ponto de atenção para o setor é o impacto do conflito sobre importantes rotas marítimas internacionais utilizadas para o comércio global de carne de frango.
Com algumas dessas rotas sob risco de interrupção ou restrição operacional, há possibilidade de redução ou até suspensão temporária das exportações destinadas ao Oriente Médio, um dos principais mercados importadores de proteína animal.
Caso esse cenário se confirme, volumes destinados à região poderão ser redirecionados para outros mercados, especialmente no continente africano. Esse movimento pode envolver exportações provenientes de países como Brasil e também de nações europeias fora da União Europeia.
O redirecionamento de grandes volumes para mercados alternativos tende a pressionar os preços internacionais no atacado, gerando impactos sobre a rentabilidade de exportadores.
Além disso, alterações nas rotas logísticas também podem afetar o comércio com países asiáticos. O uso de trajetos alternativos via África do Sul, por exemplo, pode ampliar os prazos de entrega entre 10 e 14 dias, além de elevar os custos de transporte.
Logística marítima é ponto crítico para o comércio de frango
A logística marítima desempenha papel central na comercialização internacional de carne de frango, o que torna o setor particularmente sensível a interrupções em rotas comerciais.
Embora materiais genéticos utilizados na avicultura, como pintinhos de um dia e matrizes, sejam transportados majoritariamente por via aérea e possam sofrer impacto menor, o comércio de carne depende amplamente do transporte marítimo.
Nesse contexto, o aumento dos custos de frete, elevação de prêmios de seguro ou restrições de acesso a determinadas rotas de navegação podem alterar significativamente os fluxos comerciais globais.
Setor pode demonstrar resiliência diante de pressões econômicas
Apesar dos riscos associados à escalada do conflito, analistas apontam que a avicultura possui características que podem conferir certa resiliência em períodos de instabilidade econômica.
Historicamente, em cenários de aumento do custo de vida, os consumidores tendem a migrar para proteínas de menor preço relativo. Nesse contexto, o frango costuma ganhar espaço no consumo em comparação com outras carnes.
Dessa forma, mesmo diante de pressões sobre custos de produção e desafios logísticos, a avicultura pode manter níveis de demanda relativamente estáveis, sustentada pelo papel estratégico da carne de frango como uma das proteínas animais mais acessíveis no mercado global.




















