Consumo interno enfraquecido pressiona preços, enquanto demanda externa limita recuos mais intensos; mercado projeta possível estabilidade em maio
Suíno vivo acumula queda histórica de 32,8% em 2026 e atinge menor patamar da série iniciada em 2002

As cotações do suíno vivo registraram forte retração em abril de 2026 em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, consolidando um movimento de queda acentuada observado nas últimas semanas. O cenário reflete a combinação de consumo doméstico fragilizado e ajustes no mercado, mesmo diante de uma demanda externa aquecida pela carne suína brasileira.
Na região SP-5, que engloba Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, o recuo é ainda mais expressivo. Considerando valores deflacionados pelo IGP-DI de março de 2026, o suíno vivo acumula desvalorização real de 32,8% no ano (comparando a média de abril com a de dezembro de 2025). Trata-se da queda mais intensa já registrada para o período em toda a série histórica do Cepea, iniciada em 2002.
Segundo pesquisadores do Cepea, embora as exportações estejam aquecidas e contribuam para reduzir a oferta interna, o consumo doméstico ainda não reagiu de forma consistente. Esse desequilíbrio tem pressionado os preços e resultado em sucessivas desvalorizações do animal vivo ao longo de 2026.
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Atacado também recua, mas com menor intensidade
No mercado atacadista de carne suína, o comportamento também foi de queda em abril, porém mais moderada. Em termos reais, com base em valores deflacionados pelo IPCA, a baixa acumulada no ano chega a 30,1%.
A média da carcaça especial atingiu, inclusive, o menor patamar desde fevereiro de 2019, indicando que a pressão sobre os preços se estende por toda a cadeia produtiva, ainda que de forma menos intensa no atacado em comparação ao mercado do animal vivo.
Expectativa de estabilização em maio
Para maio, agentes consultados pelo Cepea demonstram uma perspectiva mais otimista, apontando para possível estabilização dos preços tanto do suíno vivo quanto dos cortes de carne. Entre os fatores que podem sustentar esse movimento estão:
- A recomposição do poder de compra com o pagamento de salários no início do mês
- O aumento sazonal da demanda impulsionado pelo Dia das Mães
- O encerramento do período de feriados prolongados, que costuma impactar o ritmo de consumo
Apesar da expectativa de melhora pontual, o desempenho do mercado interno seguirá sendo determinante para a trajetória dos preços nas próximas semanas.
Fonte: Cepea




















