Após anos de desgaste por associação eleitoral, lideranças do agronegócio mudam de postura para focar em pautas econômicas e preservar a capacidade de negociação.
Agro busca independência política para proteger negócios e manter diálogo com o governo

Após anos de associação a um determinado campo político, lideranças do agronegócio buscam mudar de estratégia para as eleições de 2026. A avaliação interna é que a proximidade institucional com disputas eleitorais trouxe custos elevados para o setor, sendo essencial preservar a independência para negociar com qualquer governo.
A intenção não é alterar as preferências individuais dos produtores, mas separar as posições pessoais da representação institucional de uma cadeia que reúne perfis diversos e depende de políticas públicas contínuas.
Menos exposição eleitoral no Congresso
Essa nova postura se reflete na atuação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Ao contrário do que ocorreu em pleitos anteriores, a FPA não realizará encontros com candidatos à Presidência no primeiro turno de 2026. O objetivo é evitar que a imagem do setor seja consumida no centro do embate partidário.
Leia também no Agrimídia:
- •Dejetos da suinocultura podem se transformar em energia e novos ativos para o setor
- •Copacol investe R$ 10 milhões e amplia Centro de Pesquisa Agrícola
- •Milho sobe quase 3% em Chicago com chuvas nos EUA e cúpula Trump-Xi
- •El Niño ganha força na primavera e deve intensificar calor, seca e temporais pelo Brasil
Histórico de atritos com o Governo Federal
2023: O período foi marcado por confrontos públicos. O presidente Lula afirmou que o problema do agro com seu governo era “ideológico”, enquanto o setor reagia ao aumento das invasões de propriedades rurais (56 casos entre janeiro e abril, segundo a CNA) e à derrubada da tese do marco temporal para terras indígenas pelo STF, apontando risco de insegurança jurídica.
2024: A relação registrou forte ruptura após as enchentes no Rio Grande do Sul, com o polêmico leilão da Conab para importação de arroz. O presidente da CNA, João Martins, comemorou o cancelamento do leilão e declarou publicamente: “Me recuso a falar com o presidente Lula”, classificando a gestão como “desgoverno”. O ano também teve fortes reações do setor contra a MP 1.227 (créditos de PIS/Cofins) e críticas aos juros do Plano Safra 2024/25.
2025: O foco das divergências migrou para o preço dos alimentos e a suspensão de linhas de crédito do Plano Safra, gerando novas críticas da FPA. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, respondeu acusando a bancada de adotar postura de oposição. O governo tentou conter preços com alterações tarifárias, enquanto o setor cobrava ações sobre custos de produção, câmbio e juros.
2026: A disputa envolveu a renegociação de dívidas rurais por meio de Medida Provisória, com divergências sobre quem teria acesso, condições de pagamento e impacto fiscal.
Pragmatismo diante dos desafios globais
Apesar das tensões políticas internas, a necessidade de manter canais abertos com o Poder Executivo ficou clara em episódios de comércio exterior. O setor e o governo tiveram que atuar juntos para liberar crédito extraordinário após a imposição de tarifas pelo governo de Donald Trump nos EUA, além de negociar exigências sanitárias e regras sobre antimicrobianos impostas pela União Europeia no envio de carnes.
A conclusão das lideranças é pragmática: empresas, cooperativas e produtores rurais continuam precisando de crédito, infraestrutura, seguro e abertura de mercados. Como nenhuma dessas demandas desaparece com o resultado das urnas, o setor tenta separar a escolha de um candidato da representação institucional de toda a atividade econômica.
Fonte: CNN Brasil.
























