Projeção de dobrar a produção em dez anos amplia a oferta de DDG, enquanto o setor busca diversificação geopolítica para escoamento
Expansão do etanol de milho altera matriz de nutrição e exige novos mercados

A produção brasileira de etanol de milho deve dobrar na próxima década, consolidando uma mudança estrutural na oferta de insumos para a nutrição animal no país. Segundo projeção da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), o segmento já responde por 30% de todo o biocombustível fabricado no Brasil. Esse avanço industrial altera diretamente a dinâmica de disponibilidade do grão e gera volumes crescentes de grãos secos de destilaria (DDG), coproduto essencial para a formulação de dietas de bovinos, aves e suínos.
O aumento expressivo na disponibilidade de DDG impulsiona a busca governamental por novos destinos de exportação. O Ministério da Agricultura (Mapa) anunciou a abertura de mercados no Kuwait, Nicarágua, Síria e Bangladesh para produtos agrícolas brasileiros. Entre os itens autorizados estão o milho em grãos e o próprio DDG. Essa diversificação de parceiros comerciais reflete a necessidade logística de escoamento de uma indústria de biocombustíveis em franca expansão.
A abertura de novos destinos ocorre em um momento em que a pressão geopolítica global exige do agronegócio brasileiro estratégias comerciais mais sofisticadas. Especialistas apontam que a manutenção da competitividade internacional demanda uma articulação contínua do setor exportador para mitigar riscos de concentração em poucos compradores. O cenário internacional turbulento justifica o esforço diplomático em regiões do Oriente Médio e da Ásia para garantir o fluxo contínuo das commodities agrícolas.
Leia também no Agrimídia:
Além da diversificação de mercados, a mitigação de riscos sanitários pauta as tendências de longo prazo do setor. No segmento avícola, pesquisadores internacionais avançam no desenvolvimento de abordagens científicas para aumentar a resistência genética de frangos à gripe aviária, buscando reduzir os impactos econômicos de surtos globais da doença. O avanço tecnológico na genética animal complementa os esforços comerciais do Brasil, que também registrou progresso nesta semana com a viabilização, pelo Mapa, da exportação de material genético de bovinos leiteiros para Botsuana, abrindo uma nova fronteira para a pecuária nacional no continente africano.
Da Redação























