Propostas da Associação Brasileira do Agronegócio focam em endividamento, dependência de insumos importados e inovação tecnológica no campo
Setor cobra soluções estruturais do próximo presidente para gargalos de crédito

A Associação Brasileira do Agronegócio elaborou um conjunto de propostas de políticas públicas voltadas aos principais desafios macroeconômicos do setor, visando o próximo ciclo presidencial. O documento foca na resolução de gargalos estruturais históricos, destacando a necessidade de novas abordagens para o financiamento rural, a modernização da infraestrutura logística e a redução da dependência nacional de insumos importados. O endividamento crescente dos produtores, agravado por intempéries climáticas recentes e custos de produção elevados, é apontado como o ponto mais crítico a ser endereçado pela próxima equipe econômica. O setor também cobra estratégias governamentais eficientes para reverter a imagem negativa do agronegócio brasileiro no exterior, fator que frequentemente resulta em barreiras comerciais não tarifárias.
Enquanto as demandas políticas se estruturam no âmbito federal, o avanço tecnológico segue como pilar fundamental para o ganho de eficiência e sustentabilidade. A Embrapa e instituições da China firmaram um acordo de cooperação estratégica para desenvolver soluções de inteligência artificial aplicadas especificamente à agricultura familiar. A iniciativa busca fortalecer a inovação tecnológica no campo, democratizando o acesso a ferramentas de agricultura de precisão, otimizando o uso de recursos naturais por pequenos e médios produtores e integrando essa parcela produtiva às cadeias globais de valor. A parceria sino-brasileira prevê o intercâmbio de pesquisadores e a criação de bancos de dados compartilhados para treinar algoritmos adaptados aos biomas tropicais.
No âmbito corporativo, as empresas do setor também ajustam suas estratégias financeiras para lidar com o cenário macroeconômico desafiador e a volatilidade dos mercados. A MBRF anunciou o cancelamento da oferta para recompra de suas notas com vencimento previsto para 2029. A decisão reflete ajustes na estratégia de gestão de passivos e na estrutura de capital da companhia, indicando uma postura mais conservadora em relação à liquidez e ao custo de capital no médio prazo, em um ambiente de juros ainda restritivos.
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A necessidade de políticas de Estado robustas também se reflete na diplomacia comercial diária. A recente elevação da tarifa de importação sobre a carne bovina brasileira para 67% pela China, após o esgotamento da cota, evidencia a vulnerabilidade do agronegócio nacional à concentração de mercados. O episódio reforça a urgência das pautas apresentadas ao próximo governo, especialmente no que tange à diversificação de parceiros comerciais e à negociação de acordos bilaterais mais vantajosos que protejam as margens da indústria exportadora.
Da Redação
























