Importações de baixo custo acendem sinal de alerta sobre assimetria regulatória e sanidade no mercado britânico
Avicultura do Reino Unido alerta para impacto da entrada de ovos da Turquia

A avicultura do Reino Unido enfrenta uma nova frente de pressão competitiva no mercado interno de postura. Dados alfandegários britânicos confirmaram o desembarque do primeiro carregamento de ovos in natura provenientes da Turquia, comercializados a preços significativamente inferiores aos praticados por fornecedores tradicionais da União Europeia e por produtores locais. A movimentação acendeu o alerta em entidades setoriais sobre os riscos de distorção de mercado, assimetria de custos operacionais e vulnerabilidades sanitárias na cadeia de suprimentos.
A Associação Britânica de Produtores de Ovos Caipiras (BFREPA, na sigla em inglês) reportou o ingresso de mais de 40 toneladas de ovos com casca de origem turca, com valor declarado na casa de € 1,50/kg. Mesmo sob a incidência de tarifas alfandegárias — visto que a Turquia não possui acordo de livre comércio com o Reino Unido —, o produto chega ao atacado com paridade de preço próxima à dos ovos originários da Ucrânia, principal fornecedor externo do país, que respondeu pelo envio de 1.900 toneladas no mesmo período. Em contrapartida, os ovos importados de países como Holanda e Polônia registram patamares superiores a € 2,60/kg.
Assimetria regulatória e escala produtiva
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A apreensão do setor produtivo britânico fundamenta-se na capacidade de escala do parque avícola turco, que conta com um plantel estimado em 114 milhões de poedeiras — volume três vezes superior ao plantel do Reino Unido. Com a recente ampliação da cota de exportação pelo governo da Turquia de 1.000 para 6.000 toneladas mensais, associada ao bloqueio de rotas comerciais tradicionais como o Irã, a indústria turca redireciona excedentes para mercados de moeda forte.
A BFREPA pontua que o avanço das importações expõe uma divergência regulatória relevante: a maioria dos ovos importados é oriunda de sistemas de criação em gaiolas convencionais, modelo banido no Reino Unido e na União Europeia. A entidade adverte que o cenário reproduz a dinâmica de crescimento acelerado observada nas importações ucranianas, porém amparada por uma estrutura de produção massivamente maior e por políticas públicas de incentivo à exportação em Ancara.
Riscos sanitários no ambiente de mercado
O aumento da dependência de suprimento externo ocorre em meio a discussões sobre segurança dos alimentos e rigor fiscalizatório na fronteira britânica. Atualmente, o Reino Unido importa cerca de 1,6 bilhão de ovos por ano — volume 60% superior ao registrado há cinco anos. Entidades como o Conselho Britânico da Indústria de Ovos criticam a ausência de amostragem e testes sistemáticos nas cargas importadas.
A fragilidade do controle sanitário ganhou tração no debate setorial em razão do recente surto de Salmonella registrado no país, com 474 casos notificados e dois óbitos associados pela agência de saúde pública local a ovos importados. Embora não haja vinculação direta do surto com as cargas turcas, lideranças do setor de postura pressionam o governo britânico por auditorias mais rigorosas e harmonização das exigências produtivas impostas ao produto importado em relação às normas cumpridas pela avicultura nacional.
Da Redação, com informações da Poultry World
























