China é a maior compradora do agro brasileiro, e investimentos chineses em portos e contêineres refrigerados ajudam a viabilizar as exportações de carnes
‘Frango não tem partido’: agro defende que Brasil precisa equilibrar a relação com China e EUA

Em evento do Insper em São Paulo, na quarta-feira (7), sobre o futuro da segurança alimentar e os impactos para o agronegócio, especialistas defenderam que um eventual alinhamento político do Brasil com os Estados Unidos não afaste o país da China, maior compradora do agro brasileiro.
Questionada pelo g1 sobre como Pequim vê o primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a especialista em China Larissa Wachholz, assessora especial do Ministério da Agricultura entre 2019 e 2021, disse que a China olha a América Latina com cautela, observando onde seus investimentos e suas relações comerciais são bem-vindos.
Segundo ela, a cautela decorre da possibilidade de o Brasil e outros países da região se alinharem mais aos Estados Unidos, sob Donald Trump. Wachholz diz que a preocupação começou no primeiro mandato do republicano e se intensificou no segundo, e que os EUA indicam cada vez mais, em documentos internos, ver a América Latina como região de influência norte-americana.
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Infraestrutura e exportações
Para o agro, afirma Wachholz, os investimentos chineses ajudam a superar gargalos de infraestrutura e tornam os produtos nacionais mais competitivos. Ela cita a exportação de carnes, que exige carga refrigerada, contêineres especiais e portos preparados, e diz que aportes importantes da China nessa área viabilizam a exportação competitiva. Por isso, na avaliação dela, é importante sinalizar positivamente à China, e não confronto, mesmo com um eventual governo mais alinhado aos Estados Unidos.
Entre os exemplos estão a participação da chinesa Cofco no terminal STS11, no Porto de Santos (SP), usado na exportação de produtos agrícolas, e a TCP, em Paranaguá (PR), controlada pela China Merchants Port, que concluiu em 2024 a ampliação das tomadas para contêineres refrigerados, usados no transporte de carnes e outros alimentos congelados. A obra aumentou a capacidade de armazenar essas cargas na temperatura adequada até o embarque.
Visão do setor
A avaliação é compartilhada por Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, e por Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Santin repetiu a resposta dada quando Jair Bolsonaro deixou o governo: “Frango não tem partido nem ideologia”. Segundo ele, o agro trabalha pela segurança alimentar do Brasil e de 170 países, e nenhum governo vai atrapalhar um negócio que representa 35% do PIB brasileiro.
Para Santin, o peso do Brasil no abastecimento mundial exige que qualquer governante preserve as relações com os países compradores, e ele não espera mudanças nas exportações de carnes para a China por causa do resultado eleitoral.
Jank destacou que a política comercial de Trump, marcada por tarifas a outros países, tornou o ambiente internacional mais complexo nos últimos anos. Para ele, o Brasil deve preservar as relações com as duas potências, e maior afinidade política com Washington ou Pequim não deveria afastar o outro parceiro. Jank afirmou que se dar bem com ambos é obrigatório.
A China é a maior compradora de produtos agropecuários do Brasil, seguida da União Europeia e dos Estados Unidos, segundo dados do Ministério da Agricultura.
Fonte: G1.
























