O setor agropecuário brasileiro adota o Rasoe para unificar dados socioambientais e atender às rígidas exigências de rastreabilidade do mercado europeu após o acordo com o Mercosul
Rastreabilidade socioambiental consolida-se como exigência fundamental para o agronegócio brasileiro no mercado europeu

Os 100 dias iniciais de vigência do tratado entre Mercosul e União Europeia evidenciam que a abertura comercial traz novos desafios ao produtor brasileiro. Embora cerca de cinco mil itens do bloco já ingressem em território europeu sem tarifas, os critérios ambientais impostos pela legislação do EUDR exigem rígidos mecanismos de monitoramento.
Nesse cenário, o setor passou a contar com o Relatório de Análise Socioambiental para Operações de Exportação (Rasoe), oficializado pela Camex no início de setembro. A ferramenta compila informações de diversos bancos de dados públicos para estruturar os diagnósticos ambientais das vendas externas de commodities agrícolas e pecuárias.
O instrumento funciona como um consolidador de dados, e não como uma certificação automática que substitua as exigências de auditoria e geolocalização do bloco europeu. De uso voluntário, o relatório visa mitigar a dispersão de dados — um dos fatores que mais encarecem os processos de conformidade no país.
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A eficácia do documento, porém, depende da precisão dos dados de origem, como as informações prestadas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). A validação desses cadastros avança em ritmos desiguais nos estados: enquanto Goiás aprovou cerca de 200 das 40 mil propriedades analisadas, o Piauí acelerou o processo e atingiu a marca de 78% das áreas analisadas até setembro.
Na pecuária, a complexidade aumenta devido aos fornecedores indiretos e ao trânsito dos animais por múltiplos imóveis ao longo do ciclo produtivo. Diante desse gargalo, análises do setor apontam a integração rigorosa do Código Florestal aos sistemas de rastreamento como o caminho para garantir transparência aos compradores internacionais.
Apesar de o Brasil deter um amplo ecossistema de informações ambientais, o desafio estratégico consiste em converter esses registros em provas auditáveis para assegurar a presença contínua nos mercados globais.
Fonte: Canal Rural.
























