BMPA critica a posição dos conservadores, que prometem desfazer qualquer acordo que alinhe as regras britânicas às de Bruxelas
Processadores de carne britânicos alertam contra fim de acordo sanitário com a UE

A Associação Britânica de Processadores de Carne (BMPA) alertou para os prejuízos ao setor caso um futuro governo conservador desfaça o acordo sanitário e fitossanitário (SPS) que o Reino Unido negocia com a União Europeia. O acordo eliminaria boa parte das barreiras comerciais criadas pelo Brexit, e o primeiro-ministro Andy Burnham tem reforçado a intenção de aproximar o país do bloco.
A UE continua sendo o principal mercado da carne britânica. Em 2025, as exportações de carne vermelha do Reino Unido, incluindo miúdos, passaram de 2 bilhões de libras, segundo a Receita britânica (HMRC). Para a BMPA, um acordo amplo acabaria com exigências como os certificados sanitários de exportação e as inspeções de rotina na fronteira, além de dar mais segurança jurídica para investimentos de longo prazo.
Divergência política
Leia também no Agrimídia:
- •Abate de suínos cai no Reino Unido em setembro, enquanto descarte de matrizes dispara
- •MBRF amplia vendas internacionais em 15% em três anos e leva estratégia multiproteína à SIAL Paris
- •Juros do crédito rural quase dobram em quatro anos e levam inadimplência a recorde, aponta Cepea
- •Temporais com granizo e ventos de 70 km/h atingem Sul, Sudeste e Centro-Oeste até sexta-feira
Segundo o jornal Financial Times, a líder conservadora Kemi Badenoch e o porta-voz econômico do partido, Andrew Griffith, indicaram que descartariam um acordo que exija o alinhamento automático às regras alimentares e agrícolas europeias. O argumento é que o Reino Unido se tornaria um mero seguidor das normas de Bruxelas.
O diretor executivo da BMPA, John Powell, rebate que a posição ignora a realidade do comércio. Segundo ele, quem exporta carne para a UE já precisa cumprir integralmente as regras europeias, com ou sem acordo. O Brexit apenas acrescentou burocracia, certificação e controles de fronteira para comprovar essa conformidade, o que encarece e reduz a competitividade das empresas britânicas. Powell afirma que desfazer o acordo seria um grave retrocesso e repetiria os danos que o Brexit causou ao setor há dez anos.
O dirigente também destaca que a incerteza sobre mudanças de regras a cada novo governo dificulta o planejamento e os investimentos. Para ele, um acordo duradouro reduziria custos, liberaria recursos para inovação, aumentaria a produtividade e ajudaria a reabrir mercados perdidos.
Da Redação, com informações da Pig World e do Financial Times
























