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Argentina é agora suspeita de maquiar a pobreza

O país que já ganhou fama pela falta de confiança de seus dados econômicos debate agora o “sumiço” dos pobres. Sem explicações, o governo suspendeu a divulgação dos índices de pobreza e indigência relativos ao segundo semestre de 2013, prevista para a última semana de abril.

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A menina de uns dez anos de idade fixa os olhos, desolada, em duas bolas de tênis que escaparam das mãos enquanto fazia malabarismos na avenida Libertador. Conhecida dos brasileiros, a cena de jovens que desenvolvem habilidades de circo para ganhar trocados começa a ficar mais frequente nas ruas de Buenos Aires. O aumento da pobreza é nítido aos olhos da população argentina, mas invisível nas estatísticas do governo.

O povo do país que ganhou fama no mundo pela falta de clareza nos dados econômicos debate agora o “sumiço” dos pobres. Sem explicações, o governo suspendeu a divulgação dos índices de pobreza e indigência relativos ao segundo semestre de 2013, prevista para a última semana de abril.

É bem provável que o ministro da Economia, Axel Kicillof, tenha tomado a decisão para evitar a repetição da polêmica que cercou pesquisa anterior do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o mesmo que mede inflação e sob intervenção do governo desde 2007. Na mostra referente à primeira metade de 2013, o índice de pobreza do Indec ficou em 4,7%, enquanto cálculos independentes giravam em torno de 25%.

A polêmica aumentou com a recente divulgação da pesquisa “Dívida Social da Argentina”, uma das mais bem conceituadas abordagens sobre o tema, a cargo da Universidade Católica Argentina (UCA). O trabalho apontou índice de 27,5%. Ou seja, segundo a pesquisa, 11,5 milhões de argentinos são pobres. O último dado oficial registrou menos de 2 milhões.

O Indec diz que interrompeu a pesquisa pela “impossibilidade de compatibilizar a medição com o novo Índice de Preços ao Consumidor”, em vigor desde janeiro, e que trabalha em novas metodologias. Já havia sido motivo de piada o último dado oficial sobre o custo das necessidades alimentares básicas de uma família com dois filhos. O valor dessa cesta estava em 788 pesos em dezembro, o que dava 6,5 pesos por pessoa por dia, ou 82 centavos de dólar. É menos do que o preço do litro de leite (7,15 pesos na tabela de preços controlados).

“O governo reconheceu que não podia mais dar conta dos indicadores da pobreza e, por isso, preferiu não divulgar nenhum número”, diz o sociólogo Agustín Salvia, coordenador da pesquisa “Dívida Social argentina”, da UCA. O índice de pobreza no país, segundo a pesquisa, subiu de 22% em 2011 para 25,5% em 2012 e 27,5% em 2013. Para 2014, Salvia estima que 30% da população estará nessa faixa.

A situação já esteve pior. Em 2003, o índice de pobreza na Argentina chegou a 52%. Os últimos dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), divulgados no ano passado, mostram uma estabilização em 27,9% no índice de pobreza da região. No Brasil houve uma retração, de 20,9% para 18,6%.

Para Salvia, chama a atenção o aspecto estrutural da pobreza. “No Brasil, a questão estrutural é forte, mas descendente. As novas gerações estão melhores. A Argentina vive o inverso. Boa parte da atual faixa da população empobrecida viu pais e avós trabalharem em ocupações qualificadas”, diz.

Um dos melhores exemplos está na quantidade de músicos pedintes. É comum encontrar nos vagões do metrô de Buenos Aires jovens que passam o boné para pedir dinheiro depois de apresentações ao violino ou saxofone.

A alta da informalidade é outro agravante. “A inflação é golpe duro para todos; mas principalmente para quem não tem trabalho fixo”, diz Daniel Arroyo, professor de sociologia e ex-secretário de Desenvolvimento Social da Província de Buenos Aires. Ele lembra que 34% da população economicamente ativa está na informalidade.

Ramona, uma paraguaia que mora há quatro anos na Villa 31, uma das maiores favelas de Buenos Aires, não pretende procurar emprego tão cedo. Diz ter o suficiente com o que ganha com a venda de empanadas, lanches e café num dos acessos para a Villa 31.

Para Arroyo, provocada sobretudo pela inflação, a redução no ritmo dos investimentos privados leva à consequente diminuição na oferta de emprego formal. A inflação ficará acima de 30% neste ano, segundo previsões de economistas independentes. A taxa de desemprego ainda é baixa. Fechou em 6,4% em 2013, mas analistas preveem que passará dos 7% neste ano.

Se a pobreza aumentou, o índice de indigência ficou praticamente inalterado. Sustentada pelos programas sociais, a parcela da população situada abaixo da faixa de pobreza está em 6%, segundo a pesquisa da UCA. Salvia lembra que 23% dos lares do país recebem algum tipo de dinheiro desses programas, que envolvem de recém-nascidos a idosos. Não fossem esses benefícios, diz Salvia, os indigentes seriam 10% da população.

“Nos últimos anos, houve uma mudança de rumo. Os investimentos privados foram substituídos pelo aumento no gasto de recursos públicos em assistência social. O problema é que tudo isso foi à custa de um alto déficit fiscal. Para manter os índices de indigência baixos será preciso contar com ainda mais altas transferências de recursos públicos”, diz Salvia.

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