Ultimamente ouvimos falar em novas pragas invadindo as lavouras brasileiras, um exemplo recente é o caso da Helicoverpa armigera.
Os perigos de uma defesa fitossanitária sem gestão – por José Annes Marinho

Ultimamente ouvimos falar em novas pragas invadindo as lavouras brasileiras, um exemplo recente é o caso da Helicoverpa armigera. Uma praga que tem causado grandes prejuízos aos produtores de soja, algodão, milho, chegando até mesmo à pecuária. Quais seriam as razões? Muitos dizem que é o uso indevido de defensivos, outros afirmam ser a proibição de produtos que tinham efeito sobre essa praga, outros citam falta de manejo integrado, falta de produtos novos para controle, rotação de princípios ativos, bioterrorismo, falta de identificação dessa praga que, segundo relatos, já estava no Brasil há pelo menos dois anos.
Podemos concordar com todos estes argumentos, ora corretos, ora com um pouco de exagero, mas o fato é que a nossa política para estes problemas está fragilizada, a exemplo da extensão rural. Nos falta, além de outros graves problemas como infraestrutura, uma política de gerenciamento de risco, saber o que fazer e como fazer, pois não temos somente esta praga. Temos outras até mesmo mais perigosas. O ponto é que resolvemos tomar uma ação, somente após o problema já estar presente e ter gerado prejuízos enormes. Foi assim no caso da ferrugem da soja, por força até mesmo da indústria, que buscou uma solução.
Não há como esperar mais. Precisamos de um plano de gerenciamento, de gestão, de monitoramento e de competência. Há exemplos de sucesso fora do Brasil e por que não analisá-los e buscar soluções parecidas e eficazes? Basta querer, ter vontade política e ter liderança para que o produtor não fique à dura sorte, vendo sua lavoura ser dizimada por pragas, vendo seus recursos e seus trabalhos sendo consumidos por agentes indesejáveis.
Enfim, ser produtor no Brasil é um grande desafio! Além do clima, do mercado, das pragas já existentes, da escassez da mão de obra, agora é preciso lidar com as novas pragas das quais pouco se conhece. Acredito que o melhor caminho seja a união e a pressão dos produtores através de suas representações junto ao governo e políticos. O velho ditado que prevaleça: “a esperança é ultima que morre”. Mãos à obra, ainda há muito o quê fazer. Certamente algo já está sendo feito, mas ainda é pouco efetivo, por isso é preciso lembrar que a união faz a força e o produtor já se deu conta disso.
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