Já pensou em criar uma galinha de raça pura como animal de exposição? Pois isto já é possível no Ceará.
Avicultura de exibição em alta

A criação de galináceos de raça está ressurgindo no País, especialmente no Ceará. Trata-se da avicultura de exibição, que consiste na criação de galos e galinhas de raça pura, originados de países como China, Japão, Inglaterra, França e Estados Unidos. Até a década de 50, as exposições dessas aves eram bastante populares no País. A atividade perdeu fôlego com o crescimento da avicultura industrial. Agora, com o interesse do consumidor por produtos de origem orgânica, cresce o interesse do mercado pela atividade, uma vez que o cruzamento de galos de raça com a famosa galinha caipira gera um produto de alta qualidade. Porém, criadores destacam que esta não deve ser a primeira motivação para estar na atividade. As aves de exibição se prestam melhor para as exposições da modalidade e podem, inclusive, serem criadas como animais de estimação.
Associação Americana – Há diversos criadores no tipo de avicultura no País, mas ainda é reduzido o número dos criatórios comerciais. No Ceará há apenas a Agropecuária Rancho Mochila, de propriedade de Washington Júnior. Seu plantel foi iniciado em 1993, na localidade de Jandaiguaba, Capuan, em Caucaia. Tem cerca de 500 animais adultos de 26 raças, aves procedentes dos Estados Unidos e França. Ele é sócio da American Poultry Association (Associação Americana de Raças Puras – APA) desde 1997, e segue rigorosamente os critérios do standard desta entidade. “Enquanto a avicultura industrial objetiva gerar carne e ovos, o objetivo da avicultura de exibição é criar as aves para exposições”, destaca ele.
No Brasil, um dos eventos mais tradicionais é a Exposição de Aves do Rio Grande do Sul, realizada desde 1916, ano que marca o tipo de competição no País. Assim como acontece nas demais exposições de animais de raça, na avicultura de exibição os juízes também pontuam os animais apresentados, observando a sanidade, a morfologia, as características individuais de cada raça e a beleza do conjunto. O preço de mercado de uma ave adulta varia de R$ 120,00 a R$ 180,00. Mas o exemplar com qualidade para competir em exposição chega a R$ 600,00. Tornando-se campeão, é valorizado em R$ 1 mil.
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No Ceará, Washington Júnior diz que falta apoio para a atividade. Ainda não há exposições competitivas. Para divulgar o setor, ele procura as exposições agropecuárias, mas a maioria não se interessa em abrir espaço. Segundo ele, exceção fica para as exposições do Crato (Expocrato), de Santa Quitéria e Quixadá, o Tejubode, a PecNordeste e a Expoinverno, em Fortaleza. Nesses eventos, ele aproveita para mostrar os galináceos ao público, que fica bastante interessado. Muitos se iniciam na criação. “Em todas as exposições agropecuárias é possível ampliar as atrações com um espaço especial destinado às aves de raça”, defende. O auge da avicultura de exibição no País foi de 1914 a 1950. Neste período, havia exposições em todos os Estados brasileiros, com apoio dos governos. A importação das aves era liberada, o que acontece hoje sob restrições. A lucratividade da criação industrial apagou o brilho dos expositores. Washington Júnior diz que o ressurgimento da atividade vem sendo observado desde o final da década de 80, coincidindo com o crescente interesse por produtos orgânicos.
Ele explica que, da criação de raças puras, pode-se obter unidades a serem utilizadas no consumo de carne e ovos. “O cruzamento de um galo da raça americana, Gigante Negro de Jersey, com a galinha caipira regional gera um excelente produto tanto para consumo de carne como de ovos”, afirma ele.
Origem do setor – A primeira exposição de galináceos de raça pura aconteceu no ano de 1874 nos Estados Unidos. No Brasil, as primeiras aves chegaram em 1895, pelo Porto Avícola do Rio de Janeiro. Eram espécies de raças como Orpington Buff, Plymouth Rock, Brahma Light e Cochin Buff. A primeira exposição da modalidade foi realizada no País nos dias 6 e 7 de setembro de 1914, no Rio de Janeiro, então capital federal. Rio Grande do Sul é o Estado brasileiro mais tradicional na atividade. A primeira exposição gaúcha ocorreu em 1916 e, desde então, vem sendo realizada. Atualmente, os principais eventos da categoria no País ocorrem naquele Estado. Além de criador comercial, Washington Júnior é também pesquisador do assunto. Ele tem obras raras sobre a avicultura de exibição, com títulos datados de 1909, como a revista “Chácara e Quitaes”, atualmente denominada “Avicultura Industrial”. Ele é um dos grandes incentivadores do setor e mostra-se aberto a interessados.
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