Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 70,56 / kg
Soja - Indicador PRR$ 123,32 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 131,18 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,00 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,95 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,76 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,71 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,63 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,77 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 178,01 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 188,24 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 200,90 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 210,75 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 168,76 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 194,93 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,06 / kg
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Rolagem de dívidas novamente em foco

Sob ameaças de boicote em votações no Congresso e forte pressão política, o governo vai ceder, pela segunda vez na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aos apelos do setor rural por uma nova renegociação das dívidas agrícolas.

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Redação (05/07/07) – Em jogo, está a rolagem de pelo menos R$ 38,4 bilhões em débitos com vencimento neste ano ou já repactuados a partir de 1995. Além disso, as negociações abrangem rolagens de R$ 20,5 bilhões em dívidas de custeio, comercialização e investimento já prorrogadas desde a safra 2003/04, que vencem a partir deste mês de julho. 

As negociações estão arrastadas. O governo concedeu uma "moratória" até 31 de agosto para resolver a questão. Na segunda rodada de negociação, ontem, o Ministério da Fazenda ofereceu ao setor a prorrogação das dívidas de investimento para o fim dos contratos, com percentuais diferenciados por programas, Estados e culturas específicas. 

Estima-se um total de R$ 5,2 bilhões com vencimento em 2007. Para as dívidas de aquisição de máquinas (Moderfrota e Finame Agrícola Especial) e de cooperativas (Prodecoop), o governo ofereceu a rolagem de 60% para produtores de algodão (GO, BA, MT e MS), soja (DF, GO, MT, MS, BA, MA e PI), milho ( MT, GO, MS e BA) e arroz (RS, SC e MT). Os demais teriam apenas 20% da dívida repactuada. 

Para os outros programas (Pronaf Investimento, Moderinfra, Moderagro, Prodeagro, Prodefrutas, Prolapec e PropFlora), ofereceu a prorrogação de 70% para os produtores dos mesmos Estados e culturas e de 30% para os demais. Além disso, o governo manteve o bônus por adimplência de 15% sobre a parcela de 2007, o que resultaria num desconto de 3% sobre o saldo devedor. Quem não pagasse em 2007, não teria esse bônus. 

Muito insatisfeitos com as soluções oferecidas pelo governo, os ruralistas ameaçam barrar a votação da renovação do chamado imposto do cheque, a CPMF, que deve render ao Tesouro R$ 39 bilhões neste ano. "Se não houver acordo, a bancada ruralista vai dificultar as discussões e obstruir as votações da CPMF. Não tem conversa", afirmou o deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), presidente da subcomissão que discute o endividamento rural com o governo. A proposta feita ontem à noite pela Fazenda. 

A tensão entre ruralistas e governo remonta à grave crise de renda registrada no segmento de grãos a partir do fim de 2004. O setor considera ter sido preterido nas negociações, mesmo com as rolagens de dívidas de custeio e investimentos que implicaram num custo estimado em R$ 10 bilhões ao Tesouro ao longo de dez anos. Antes, no mandato de Fernando Henrique Cardoso, o setor foi brindado com um alongamento de 24 anos para dívidas até R$ 200 mil (securitização) e de 20 anos para débitos acima desse teto. 

Neste ano, as divergências voltaram à tona e aumentaram as pressões das bases eleitorais dos parlamentares por uma "solução definitiva". Os ruralistas exigem agora uma "medida sistêmica de longo prazo" como a criação de um programa de parcelamentos de débitos. A adoção de um "Refis Agrícola", semelhante ao programa lançado em 2000 para refinanciar dívidas fiscais com a União, rolaria débitos de produtores no longo prazo – o Refis previu máximo de 15 anos -, com um recálculo das dívidas, juros baixos (TJLP), sem necessidades de garantias reais adicionais e parcelamento dos débitos com um percentual máximo de comprometimento da renda bruta, além da suspensão das execuções judiciais por inadimplência pelo governo. 

Em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, dirigentes dos bancos privados e do Banco do Brasil mostraram um cenário das dívidas rurais. O BB detém um estoque de R$ 44,5 bilhões e os bancos ligados à Febraban, outros R$ 40,2 bilhões. O estoque total das dívidas do setor somam R$ 131 milhões, segundo levantamento do Ministério da Fazenda. O diretor de Agronegócios do BB, José Carlos Vaz, afirmou aos parlamentares que o banco prorrogou R$ 8,4 bilhões em dívidas de custeio e investimento entre 2004 e 2006. 

Responsável por uma fatia de 55% de todo o crédito rural do país, o BB afirmou ter 1,4 milhão de clientes no setor e um carteira de R$ 64,5 bilhões. O assessor técnico da Febraban, Ademiro Vian, informou que as prorrogações no sistema financeiro privado somaram R$ 1,64 bilhão no mesmo período. Desse total, R$ 301 milhões estão em atraso. Os bancos privados têm um nível de risco bastante razoável. 

Segundo Vian, 77,3% dos clientes do agronegócio estão classificados entre os níveis "AAA" e "B" de risco de crédito. As instituições financeiras ligadas à Febraban têm uma carteira de R$ 3,31 bilhões em empréstimos com recursos das exigibilidades – a parcela de 25% que os bancos são obrigados a aplicar no setor rural. Desse total, apenas R$ 31,04 milhões estão em situação de atraso. 

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