Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 69,75 / kg
Soja - Indicador PRR$ 120,66 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 127,27 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,19 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,91 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,76 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,60 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,51 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,74 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 166,57 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 173,38 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 185,09 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 195,54 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 159,04 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 177,59 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,12 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,17 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.182,38 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.095,19 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 181,82 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 162,93 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 150,92 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 167,05 / cx
Dia do Agricultor

Exagero ambiental

Artigo do secretário de Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, faz uma relação entre o agronegócio e sustentabilidade ambiental.

Compartilhar essa notícia

Como se alimentam as plantas? Básica na ecologia, a pergunta remete a um processo fundamental da vida: a fotossíntese. Esta não funciona, porém, sem água e elementos químicos, absorvidos pela raiz das plantas. Princípio da nutrição vegetal.

Os primeiros relatos da agricultura datam, aproximadamente, de 10 mil anos. Ao produzir seu próprio alimento, a espécie humana supera a dependência animalesca da coleta florestal, da caça e pesca, permitindo o sedentarismo. Passo decisivo da humanidade.

No delta dos grandes rios surgem os cultivos de cereais. Por quê? Acontece que ali, nas várzeas inundadas, o solo se enriquece com sedimentos orgânicos trazidos pelas enchentes anuais. Assim, a civilização nasceu próxima à foz dos Rios Tigres e Eufrates, na antiga Mesopotâmia, ou no vale do Rio Amarelo (Huang He), na China. O Egito de Cleópatra não existiria sem o Rio Nilo.

Primordialmente, a adubação das plantas era natural, quer dizer, dependia da matéria orgânica e dos elementos químicos já depositados no solo. Até hoje tal primitivismo agrícola se pratica alhures. Ao derrubar uma floresta, os agricultores deitam nela a semente para aproveitar a terra “gorda”, aquela rica mistura de folhas e galhos secularmente decompostos, chamada serrapilheira. Insetos, animais microscópicos, bactérias e fungos se alimentam da celulose armazenada nos vegetais, excretando húmus. Reino das minhocas.

Com poucos anos de cultivo, todavia, as raízes das plantas sugam da terra a riqueza acumulada. Por isso, fora das várzeas a agricultura original se mostrava itinerante, deixando para trás áreas em pousio. Com a supressão contínua das florestas, surge a necessidade de repor no solo o nutriente retirado nas colheitas. Vinga a técnica da adubação.

Desde a Antiguidade se conhecem vários produtos e resíduos utilizados na nutrição de plantas. Cinzas, restos de peixes, rochas moídas, fezes humanas, tudo se buscava aproveitar naquele tempo de incipiente sobrevivência humana. O progresso na domesticação dos animais revela o melhor de todos os adubos: o esterco bovino. Abundante, rico, o excremento faz do gado importante aliado na produção de alimentos. Fora o leite e a carne.

No século 19, descobertas de sedimentos nas ilhas do Pacífico ficaram conhecidas como adubos de guano. Ricas em nitrogênio e fosfato, camadas com até 30 metros de espessura se formaram em milhares de anos de acúmulo de fezes de pássaros e morcegos. Nova fonte de fertilizantes orgânicos.

Como os Corpos Minerais se Relacionam com os Corpos Vegetais, título da tese de doutorado publicada, em 1822, pelo jovem cientista alemão Justus von Leibig, a descoberta inicia a moderna agronomia. Leibig prova que as plantas crescem em função dos elementos químicos liberados no solo, e não, conforme então se supunha, por “comerem” a matéria orgânica. Começa a era dos fertilizantes artificiais. Vai imperar o NPK.

Os avanços da ciência agronômica permitiram, por fim, chegar à hidroponia, a mais recente fronteira da quimificação agrícola. Nessa forma de produção, apropriada para hortaliças, até a terra se dispensa, substituída pela água fertilizada em bandejas, suspensas nas estufas. Nem Leibig acreditaria.

Curioso é o mundo dos homens. A quimificação da agricultura provocou, desde seu início, reações em defesa da agricultura tradicional, de natureza orgânica. Várias correntes se instalam. Rudolf Steiner formula a biodinâmica em 1924. Em 1935, Mokiti Okada traça a agricultura natural. Renegam a química (incluindo agrotóxicos) e valorizam o húmus do solo, misturando filosofia com agronomia. Dá certo.

No drama contemporâneo do aquecimento global, dois gases se mostram perigosos: o dióxido de carbono (CO2) e o metano, 21 vezes mais poderoso. O primeiro é sequestrado no processo da fotossíntese, liberando, em contrapartida, o oxigênio. Plantar árvores, portanto, ou cultivar qualquer vegetal, imobiliza carbono nas folhas, nos ramos e na madeira. Prosa ambiental positiva no campo.

Sobre o metano, porém, a conversa anda negativa. Originado a partir da fermentação orgânica, seu cheiro pode impregnar-se nas várzeas onde, por exemplo, se irriga arroz. Os rebanhos bovinos, por sua vez, expelem-no nos arrotos que brotam da ruminação. No confinamento animal, ademais, dejetos orgânicos podem-se acumular no solo, liberando o fétido gás. Por essas e outras, há gente achando que, no combate ao efeito estufa, dever-se-ia impedir o arroz irrigado e aniquilar a boiada. Um exagero ambiental.

É certo que na flatulência se expele metano. O fenômeno, aliás, não é exclusivo do gado, atingindo também os humanos. Fazer o quê, proibir? O fenômeno depende da alimentação. Na bovinocultura tropical o pastoreio livre ameniza o problema dos gases gerados no rúmen. Trata-se de uma vantagem do gado nacional, mais ecológico que a boiada estrangeira, estabulada no cocho. Ponto para o Nelore.

Soam esquisitos alguns cálculos que os ideólogos urbanos apresentam, punindo o campo. Parecem querer rasgar a História da Civilização. Ultimamente alardeiam que se gastam 15 mil litros de água para cada quilo de carne produzida. Puro engodo. Para ser verdade a conta supõe que o gado nunca urine. E na natureza, ensinava Lavoisier, “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Inclusive o xixi, reciclado.

Contra mudanças climáticas, sobra lição de casa para todos. A agricultura não escapará dessa tarefa. Soa estranho, porém, querer torná-la vilã do problema ambiental. Excluindo o horror do desmatamento e o calor das queimadas, a crise ecológica se gera na cidade. Agricultura, não, nela se produz comida. Bem adubada.

Engenheiro Agrônomo, mestre em Economia Rural, Francisco Graziano Neto é secretário de Meio Ambiente do governo do Estado de São Paulo

Assuntos Relacionados
agronegóciomeio ambiente
Mais lidas
Cotação
Fonte CEPEA
  • Milho - Indicador
    Campinas (SP)
    R$ 69,75
    kg
  • Soja - Indicador
    PR
    R$ 120,66
    kg
  • Soja - Indicador
    Porto de Paranaguá (PR)
    R$ 127,27
    kg
  • Suíno Carcaça - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 10,19
    kg
  • Suíno - Estadual
    SP
    R$ 6,91
    kg
  • Suíno - Estadual
    MG
    R$ 6,76
    kg
  • Suíno - Estadual
    PR
    R$ 6,60
    kg
  • Suíno - Estadual
    SC
    R$ 6,51
    kg
  • Suíno - Estadual
    RS
    R$ 6,74
    kg
  • Ovo Branco - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 166,57
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Branco
    R$ 173,38
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 185,09
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 195,54
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 159,04
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 177,59
    cx
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,12
    kg
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,17
    kg
  • Trigo Atacado - Regional
    PR
    R$ 1.182,38
    t
  • Trigo Atacado - Regional
    RS
    R$ 1.095,19
    t
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 181,82
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Santa Maria do Jetibá (ES)
    R$ 162,93
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Recife (PE)
    R$ 150,92
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Recife (PE)
    R$ 167,05
    cx

Relacionados

SUINOCULTURA 328
Anuário AI – Edição 1342
Anuário SI – Edição 327
SI – Edição 326
AI – 1341