Para pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, há poucos dados disponíveis sobre os fatores antinutricionais de matérias-primas como o milho e a soja produzidos no Brasil. Maioria das informações foi gerada no exterior e não retrata a realidade brasileira.
AveSui: Enzimas ganham espaço em formulações, mas ainda faltam estudos específicos no País
A adição de enzimas nas formulações de dietas para aves é adotada com cada vez maior frequência no Brasil. Substâncias protéicas, as enzimas possuem uma capacidade de auxiliar na degradação de alguns componentes específicos presentes nos alimentos. Nas rações de aves, o milho e o farelo de soja representam mais de 85% do seu volume total. Ambos os ingredientes normalmente apresentam variações em sua composição, possuindo vários fatores antinutricionais. Estes fatores são influenciados pelas características genéticas dos grãos, aspectos climáticos e condições de cultivo. Ou seja, um milho produzido no Rio Grande do Sul possui variações, no que se refere a fatores antinutricionais, se comparado a outro cultivado no Mato Grosso, por exemplo.
“No Brasil, poucas pesquisas foram conduzidas com o propósito de conhecer com profundidade a real composição das matérias-primas nacionais em relação aos fatores antinutricionais presentes nelas, o que possivelmente pode estar comprometendo a digestibilidade dos alimentos”, afirma Everton Luis Krabbe, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, que abordou o assunto nesta manhã (03/04) em palestra no Painel Avicultura – Produção e Sanidade, dentro do XI Seminário Internacional de Aves e Suínos.
No caso do milho, apesar de ele ser considerado um alimento de alta digestibilidade em aves, há evidências científicas que sugerem que a presença de amido resistente limita os seus valores de energia metabolizável. Mesmo o farelo de soja, presente em mais de 60% de todas as fontes protéicas utilizadas no mundo na elaboração de rações, contém uma gama significativa de fatores antinutricionais. Alguns deles bem conhecidos, como é o caso do fitato; classificado assim devido a sua propriedade de associar-se a alguns minerais e/ou proteínas, formando complexos insolúveis e diminuindo a biodisponibilidade deles.
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Otimização no uso de enzimas – Há no mercado inúmeras enzimas comerciais disponíveis para a produção animal. Na Europa, por exemplo, existem mais de 200 produtos registrados. Krabbe ressalta que o principal obstáculo não está na disponibilidade do produto, mas sim na forma correta de utilização das enzimas. “Pesquisas que tratam da otimização do uso de enzimas são uma urgente demanda. Evidente que seguir desenvolvendo novos produtos é importante, mas deve estar em sintonia com a realidade do usuário”, aponta o pesquisador da Embrapa.
De acordo com Krabbe, o Brasil deve promover pesquisas de fatores antinutricionais de todas as matérias-primas com interesse na alimentação animal. Com grandes áreas agrícolas em diferentes regiões do País, as quais diferem em clima, se torna imprescindível a realização de estudos sobre as características dos grãos produzidos. “A escassez de dados brasileiros, aliada a ausência de pesquisas laboratoriais com metodologia padronizada para avaliação destes fatores antinutricionais, amplia a relevância destas pesquisas para um melhor aproveitamento das dietas pelos animais”, reforça o pesquisador.
Hoje, a maioria das informações disponíveis no País foi gerada na Europa, Estados Unidos e Austrália, não retratando a realidade brasileira. “No Brasil apenas recentemente laboratórios especializados iniciaram trabalhos que reúnem métodos para análise dos compostos indigestíveis pelas aves, visando o estudo destes compostos de forma escalona e aplicação direta à produção de dietas”, conclui Krabbe.





















