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Economia

Destravar Doha é desafio para Azevêdo na OMC

Ele só assume em setembro, mas deve começar a trabalhar logo nas articulações.

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Destravar Doha é desafio para Azevêdo na OMC

O desafio imediato do novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, será conseguir uma agenda de negociação relevante para a conferência de Bali (Indonésia), em dezembro. Ele só assume em setembro, mas deve começar a trabalhar logo nas articulações.

Ele tem insistido que obter um acordo mesmo minimalista no fim do ano poderá ajudar a dar uma nova dinâmica para o passo subsequente, que é superar o impasse da Rodada Doha de liberalização global. “Tem de haver uma solução para Doha, e qualquer que seja, a superação desse impasse”, disse Azevêdo ao Valor há duas semanas.

O diretor-geral da OMC não tem poder decisório. Deve usar toda a diplomacia, paciência e capacidade de convencer para facilitar as negociações entre os países membros. Dependendo de sua capacidade, pode conduzir sutilmente as discussões.

Em 2001, a OMC lançou a Rodada Doha, para uma nova onda de liberalização agrícola, industrial e de serviços. No mesmo ano, a China entrou na entidade no rastro de seu programa de reformas econômicas e formalmente aderindo à globalização. No confronto entre desenvolvidos e emergentes, a impaciência e frustração tomaram conta dos países. O setor privado em países ricos passou a apoiar acordos bilaterais ou regionais.

Como nota Carlos Braga, do IMD, uma das melhores escolas de administração da Europa, o setor privado e as negociações globais de comércio tiveram um enorme divórcio. Os dois sempre operam em diferentes velocidades. Só que no século XXI, a discrepância aumentou, com o setor privado sempre à frente, refletindo o impacto das tecnologias da comunicação e da informação, reformas nos transportes e liberalização unilateral por alguns países, enquanto a OMC andava a passo de tartaruga.

A principal iniciativa no momento é o anúncio de negociação entre os Estados Unidos e a União Europeia, que sozinhos poderão desenhar novas regras e em seguida impô-las ao resto do mundo. Para Richard Baldwin, do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra, dificilmente Washington vai se interessar de fato num acordo de Doha até que esteja claro também se o Acordo Transpacífico (TPP em inglês) será bem sucedido, o que levará anos.

A agenda para modernizar o multilateralismo traz outros desafios. Na agricultura, a situação é diferente, como nota Roberto Zoellick, pois passou de excesso crônico de produção para demanda crescente.

A OMC precisará ainda avançar a discussão com o Fundo Monetário Internacional sobre a aplicação da regra das duas entidades de que as taxas de câmbio não devem ser manipuladas para obter vantagem comercial desleal. Foi Azevêdo quem levou o tema proposto pelo Brasil para a agenda da OMC.

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