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Manejo para minimizar perdas por ascite nos galpões de frango

A síndrome ascítica tem causado grandes perdas em consequência da mortalidade de frangos no período de produção

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Manejo para minimizar perdas por ascite nos galpões de frango

Por Leandro Correa*

A síndrome ascítica tem causado grandes perdas em consequência da mortalidade de frangos no período de produção, durante o transporte e das condenações no abatedouro, devido ao aspecto repugnante das carcaças afetadas.

Na tentativa de evitar as perdas por ascite nos galpões, alguns cuidados com o manejo de temperatura e ventilação devem ser tomados, no intuito de evitar grandes variações e má qualidade do ar. A sobrecarga do sistema respiratório resulta em um alto custo metabólico, gerando maior gasto de oxigênio tecidual. Quando o gasto do oxigênio é maior, e a demanda para o desenvolvimento muscular é alta, pode ocorrer falhas na resposta fisiológica de órgãos importantes, como coração e pulmão, surgindo a síndrome ascítica, decorrente da hipertrofia do musculo cardíaco. Gerado pelo aumento da pressão arterial pulmonar no ventrículo e átrio direito. A falência da musculatura do ventrículo e o desgaste da válvula tricúspide permitem o refluxo do sangue, levando à congestão do fígado e, consequentemente, permitindo o extravasamento do plasma na cavidade abdominal, pelo aumento da pressão venosa no sistema porta-hepático.

Os aspectos clínicos são: aves apáticas, cianóticas, ofegantes, arrepiadas, canelas desidratadas, dificuldades para se locomover e – o mais característico – abdômen abaulado pelo acúmulo de líquido. Em necropsia é possível constatar o acumulo de líquido no interior do abdômen, o coração aumentado, bem como a dilatação do ventrículo direito.

Na tentativa de minimizar a manifestação da síndrome, sugere-se alguns cuidados no manejo de campo:

  • Evitar oscilações significantes de temperatura em relação à zona de conforto das aves, afim de não promover o aumento da taxa metabólica gerada para produzir ou dissipar calor;
  • Fornecer trocas de ar periodicamente através da ventilação mínima, para não comprometer as trocas gasosas através de um ambiente carregado de partículas, como: amônia, dióxido de carbono, monóxido de carbono e poeira;
  • Preconizar o programa de luz recomendado a linhagens de crescimento rápido, quando o crescimento muscular é superior ao crescimento dos órgãos internos.

Portando, devemos – basicamente – fazer a avaliação de todo o sistema, visando atender as necessidades térmicas (conforto) e qualidade de ar às aves, evitando sobrecarga cardiorrespiratória. Ao verificarmos e corrigirmos algumas possíveis deficiências citadas abaixo, é possível prevenir:

  • Falta de integridade de cortinas externas e interno (longitudinais e transversais) e forro;
  • Frestas em portas, paredes, muretas e cooling nos galpões de pressão negativa;
  • Subdimensionamento do sistema de aquecimento ou falha de manejo;
  • Dificuldade do granjeiro para realizar trocas de ar, principalmente à noite.
  • Erro no manejo de inlets em granjas de pressão negativa (abertura e velocidade do ar);
  • Quantidade de luz (horas) acima do recomendado.

Portanto, deve-se priorizar uma revisão e adequação à estrutura, para favorecer um bom aquecimento e trocas de ar suaves, de forma prática e eficiente. Além de respeitar o programa de luz recomendado pela linhagem. Temos que redobrar a atenção no inverno, quando o problema de síndrome ascítica é mais intenso, pois, normalmente, o manejo de renovação de ar é colocado em segundo plano, afim de priorizar erroneamente o aquecimento.

*Leandro Correa é Consultor de Serviços Técnicos de Aves na Agroceres Multimix.

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