CNA defende expansão das ferrovias para reduzir custos e aumentar a competitividade do agro

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destacou a importância das ferrovias para o setor agropecuário em uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado, realizada nesta quinta-feira (10). O encontro reuniu representantes de instituições públicas e privadas para discutir as concessões e a ampliação das ferrovias no Brasil.
Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, enfatizou que o transporte ferroviário é mais sustentável e econômico em comparação ao rodoviário, que ainda predomina no Brasil. “Atualmente, mais de 60% da carga brasileira é transportada por rodovias, o que gera altos custos e impactos ambientais negativos”, ressaltou.
A assessora apontou que, embora o país tenha avançado em termos de infraestrutura ferroviária, as novas fronteiras agrícolas, como as regiões de Matopiba, Mato Grosso e Rondônia, ainda carecem de densidade ferroviária adequada. Essas áreas, que respondem por 70% da produção de grãos do Brasil, têm registrado crescimento significativo da produção, mas a oferta de ferrovias não acompanhou esse ritmo.
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A construção de novas linhas férreas, como a Ferrogrão, é vista pela CNA como essencial para melhorar a competitividade do agronegócio. Essa ferrovia, com 933 quilômetros de extensão, ligará Sinop (MT) a Miritituba (PA), e a estimativa é de que possa reduzir em 30% os custos de transporte de carga, além de contribuir para a redução das emissões de CO2.
Elisangela também trouxe números que ilustram a necessidade de ampliação das ferrovias no Brasil. Atualmente, apenas 18,5% do volume transportado nas linhas férreas corresponde a produtos agrícolas, com a maior parte (72%) sendo de minério. Apesar de um crescimento percentual na participação do agro nas ferrovias desde 2010, o volume transportado permaneceu estagnado em 20%, mesmo com o aumento expressivo da produção de grãos.
A CNA pediu apoio do Senado para acelerar a tramitação do processo sobre a Ferrogrão, que se encontra no Supremo Tribunal Federal. A previsão é que a produção de grãos do Brasil atinja 149 milhões de toneladas até 2034, reforçando a urgência de investimentos em infraestrutura ferroviária para atender à demanda crescente.





















