A crise econômica no Irã impacta a avicultura, resultando em escassez de ração e canibalismo entre as aves nas granjas
Crise na avicultura do Irã leva a escassez de ração e casos de canibalismo em granjas

A falta de ração adequada tem levado aves em diversas granjas do Irã a comportamentos extremos, como ataques entre si e canibalismo. A situação ocorre em meio a uma crise econômica profunda, que empurra o setor avícola do país — já fragilizado há anos — para a beira do colapso.
De acordo com a mídia local, uma grave escassez de moeda estrangeira, necessária para importar milho e soja, principais componentes da ração animal, deixou muitos produtores sem condições de manter o abastecimento.
Como forma de protesto simbólico, um grupo de agricultores se reuniu recentemente em frente ao parlamento iraniano para realizar “orações fúnebres” pela indústria avícola. Segundo os organizadores, o objetivo foi alertar os parlamentares para o que classificam como uma crise existencial da produção nacional de frango.
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Queda drástica nas importações de ração
Sadra Ali Akbarkhani, ex-CEO da União Central de Avicultores, estima que o setor necessite mensalmente de cerca de 240 mil toneladas de milho e 160 mil toneladas de farelo de soja. No entanto, nos últimos meses, as entregas ficaram muito abaixo desse volume, principalmente devido ao agravamento da crise cambial.
Colapso da moeda iraniana
O rial iraniano segue em forte desvalorização, com projeções de ultrapassar 1,5 milhão de riais por dólar no início de 2026. Impactada por sanções internacionais, queda na receita do petróleo e inflação elevada, a crise cambial reduziu drasticamente a capacidade do governo de destinar divisas à importação de itens essenciais, incluindo ração animal.
Atualmente, o sistema iraniano prevê que os grãos importados sejam adquiridos com moeda estrangeira alocada pelo Estado a taxas preferenciais e distribuídos a produtores registrados por meio de um sistema centralizado de cotas e subsídios.
Preços exorbitantes no mercado aberto
Segundo Akbarkhani, para evitar o abate em massa dos plantéis, alguns produtores recorrem ao mercado aberto, onde milho e farelo de soja são vendidos a “preços astronômicos”, refletindo a taxa de câmbio real. Pequenos produtores, em especial, não conseguem arcar com esses custos.
Em situações extremas, quando a ração se esgota, há relatos de que as aves passam a se atacar. O problema se agravou nos últimos meses, com um número crescente de granjas enfrentando escassez severa, segundo o portal de notícias iraniano Tabnak.
Redução na produção de pintinhos de um dia
Diante da incerteza, produtores têm reduzido as operações e diminuído drasticamente as compras de pintinhos de um dia. Reza Mobasseri, secretário da Associação Iraniana de Produtores da Cadeia Avícola, alertou que, sem acesso confiável à ração subsidiada, muitos agricultores preferem reduzir a produção a assumir prejuízos maiores.
“Se o preço de venda do frango não cobrir os custos mínimos de produção, a médio prazo algumas unidades irão à falência ou reduzirão a atividade, levando à queda da oferta e ao aumento dos preços”, afirmou Mobasseri à agência Mizan.
Ele acrescentou que uma ruptura significativa na cadeia produtiva pode ter efeitos duradouros. Uma vez desestruturada, a capacidade de produção — incluindo plantéis de matrizes e incubatórios — é difícil e cara de reconstruir, o que pode prolongar a instabilidade do mercado avícola iraniano.
Referência: Poultry World





















