Professor e pesquisador da Unesp, Pedro Alves de Souza, desfaz alguns estigmas que insistem em acompanhar o consumo de ovos no Brasil.
Ovo: alimento completo e indispensável ao organismo humano
Redação AI 04/11/2003 – 09h20 –
Ovo: nutritivo, saboroso e barato
Segundo o professor e pesquisador Pedro Alves de Souza, do Departamento de Tecnologia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Jaboticabal, que é um incentivador do consumo de ovos, é injusto considerar o ovo o maior inimigo do coração.Leia também no Agrimídia:
O professor argumenta que o ovo é uma excelente fonte de colina, substância diretamente envolvida no transporte e metabolismo dos lipídios no organismo. “A deficiência de colina tem sido associada a anomalias ósseas, infertilidade e problemas de fígado, rins, pâncreas, crescimento e memória”, afirma. “O ovo contém ainda níveis apreciáveis de zinco, selênio, vitaminas A e E e e do complexo B, substâncias que ajudam a prevenir o organismo contra processos degenerativos associados ao câncer, diabetes e cataratas e enfermidades cardiovasculares”, explica Souza.
A vitamina D também está presente em abundância no ovo. O organismo só produz vitamina D na presença de radiação solar. “Pessoas que não apanham sol devem, portanto, ingerir essa vitamina, encontrada somente em dois alimentos: no óleo de fígado de peixe e no ovo. E não resta dúvida de que o ovo é infinitamente mais saboroso”, comenta o pesquisador . “Quanto às vitaminas do complexo B, elas também ajudam na prevenção de problemas cardiovasculares”.
Embora o ovo seja rico em quase todos os nutrientes, afirma Souza, ele é famoso, sobretudo, por seu elevado conteúdo de colesterol. Assim como as gorduras saturadas (sólidas em temperatura ambiente), o colesterol pode se depositar na parede dos vasos sangüíneos e desencadear doenças cardiovasculares. “Porém, pouca gente sabe que o colesterol também é uma substância indispensável ao organismo humano para, por exemplo, ao bom funcionamento do cérebro e à síntese das membranas celulares, síntese dos hormônios sexuais e dos sais biliares”. Avalia Souza. Segundo o pesquisador, cerca de 70 a 75% do colesterol usado nesses processos biológicos são fabricados pelo próprio organismo, e, somente 25 a 30% são provenientes da alimentação. “Não há mal nenhum em se comer um ovo diariamente”. Pesquisas já demonstraram, inclusive, que não houve correlação entre o nível de colesterol circulante e o consumo de até dois ovos por dia”, afirma Souza.
O pesquisador reconhece que pessoas com problemas nas vias metabólicas de transformação e eliminação do colesterol precisam seguir dietas restritivas no que se refere ao consumo de ovos, mas reafirma que ainda existe preconceito contra esse alimento. “A primeira coisa que certos médicos dizem aos pacientes que estão com colesterol alto é que precisa parar de comer ovo, quando, na verdade, o ovo só deveria ser cortado da dieta em último caso, devido à sua importância nutricional”, comenta Souza. “Quem já está com colesterol alto talvez tenha, realmente, que moderar no consumo de ovos. Mas o que as pessoas precisam entender é que o ovo não provoca doenças cardiovasculares. As verdadeiras causas dessas doenças são o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo (“falta de algum tipo de atividade física”), alerta o professor da Unesp.
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