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Investimentos

Shell pretende dobrar investimentos globais em energias renováveis até o final de 2020

Meta da gigante do petróleo é chegar ao final do ano que vem aplicando US$ 3 bilhões na produção de energia limpa. Gás tem papel de destaque

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Shell pretende dobrar investimentos globais em energias renováveis até o final de 2020

A Shell pretende dobrar seus investimentos globais em geração de energia renovável até o final do ano que vem, passando da média atual de US$ 1,5 bilhão para US$ 3 bilhões por ano. A estimativa de crescimento foi destacada pelo presidente da companhia no Brasil, André Araújo, durante o debate “Shell Talks: As Novas Gerações e a Transição Energética”, promovido pela empresa nesta quinta-feira (19) no Rio de Janeiro. O salto, se alcançado, colocaria a gigante petrolífera entre as três maiores investidoras em energias renováveis no mundo já no início da próxima década.

Durante o evento, Araújo destacou a importância que a transição energética tem hoje para os negócios da companhia no Brasil e no mundo, passando não apenas pelo aumento dos investimentos em fontes não-fósseis, mas também por soluções internas visando a descarbonização das suas atividades. Segundo ele, a companhia estabeleceu como meta reduzir em 20% a intensidade de carbono nas suas operações até 2030, aumentando o patamar de redução para 50% até 2050. A modelagem de precificação foi apontada como fator importante.

“Sou favorável ao preço de carbono como vetor para criação de incentivos, mas tenho dificuldades com taxação, pois nem sempre o imposto acaba sendo revertido em ações para transição energética”, explicou Araújo. Ele destacou que a diminuição no uso do carbono nas operações da Shell no país deriva de projetos em Pesquisa & Desenvolvimento e também do maior foco em biocombustíveis, por meio da Raízen – na qual a companhia tem participação acionária. Outro drive para a descarbonização, sublinhou, é a aplicação de recursos no reflorestamento e na preservação florestal.

Na avaliação do presidente da petroleira, o principal risco associado à transição energética, do ponto de vista das grandes corporações, é ficar de fora. “É uma realidade que já está aí. O desafio é participar ativamente desse processo, mostrar que, como empresa, nós continuamos competitivos”, observou. Apesar do direcionamento cada vez maior dos investimentos em novas energias, ele ressalvou que a atividade de exploração e produção de óleo e gás vai continuar como foco do negócio da Shell, ajudando inclusive a financiar os projetos em renováveis.

Gás como “energético da transição”

Apesar de origem fóssil, o gás natural é visto pelo executivo como “o energético da transição”, tanto que, segundo ele, a produção global do combustível atualmente pela empresa já supera a de óleo. Um dos movimentos nesse sentido, disse, se deu com a termelétrica Marlim Azul, como forma de monetizar o gás extraído dos campos operados pela Shell no pré-sal. A térmica, em construção no litoral do estado do Rio, terá 565 MW de capacidade e foi arrematada no Leilão A-6 de 2017. O consórcio que viabiliza a usina é formado por Shell, Pátria Investimentos e Mitsubishi.

Presente ao debate, o superintendente adjunto de Estudos Econômicos e Energéticos da Empresa de Pesquisa Energética, Gustavo Nacif, observou que a transição energética não se dá de forma equânime em todos os mercados, e que existe a necessidade de adaptação às necessidades de cada país considerando questões como geopolítica, sistemas econômicos e evolução tecnológica. Nesse ponto, o presidente da Shell no Brasil reforçou que o apoio governamental é preponderante para adoção de modelos mais eficientes tanto de produção quanto de padrões consumo de energia.

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