O foco da fabricante francesa de equipamentos mudou para os mercados emergentes, que já respondem por 60% das encomendas.
Alstom quer crescer no Brasil no setor eólico

A Alstom planeja ampliar sua participação no mercado eólico brasileiro sem deixar de lado o segmento hidrelétrico. A multinacional francesa, que anunciará até o fim do mês os detalhes e o local da sua segunda unidade de produção de equipamentos eólicos no país, vai dobrar no primeiro semestre de 2013 a capacidade de sua primeira planta, em Camaçari (BA), para 600 megawatts (MW) ao ano.
Na área hidrelétrica, a companhia vai concluir no próximo ano o investimento, de € 6 milhões, em um centro de tecnologia em Taubaté (SP) para estudar turbinas para usinas de baixa queda d’água (até 60 metros de altura). Tal perfil é encontrado nos aproveitamentos hidrelétricos da região Amazônica, como as usinas do rio Madeira, em Rondônia. O objetivo da Alstom é ser a principal fornecedora do complexo do rio Tapajós (PA), de pouco mais de 10 mil MW de potência e R$ 31 bilhões de investimentos. As cinco usinas devem ser leiloadas em 2013.
A empresa participa dos consórcios fornecedores de turbinas das quatro principais hidrelétricas em construção no país: Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO); Belo Monte, no rio Xingu (PA); e Teles Pires, no rio de mesmo nome, em Mato Grosso.
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“Em termos mundiais, as vendas para hidroeletricidade são três vezes maiores do que na área eólico. Mas os dois negócios estão crescendo. Esperamos que o negócio de energia eólica cresça mais rapidamente”, disse ao Valor o presidente mundial da Alstom, Patrick Kron. O executivo esteve no Brasil na semana passada quando reuniu com o novo presidente da filial brasileira, Marcos Costa, que assumiu o cargo no início deste mês.
A visita de Kron também se justifica pelo fato de o país estar ganhando mais importância dentro do portfólio de negócios da companhia francesa. A Alstom possui mais de R$ 2 bilhões em encomendas de obras em andamento no Brasil. “Durante décadas, as nossas encomendas provinham 60% da Europa Ocidental e América do Norte, e 40% do resto do mundo. Hoje, isso se inverteu”.
Dos € 20 bilhões de vendas anuais da empresa, metade é obtida em países desenvolvidos e metade em países em desenvolvimento. Segundo Kron, do faturamento, 50% são provenientes do setor de geração, 20% da área de transmissão de energia e 30% do negócio de transportes.
O executivo afirmou ser difícil prever o volume de investimentos para os próximos anos no Brasil. A decisão dependerá da quantidade e do valor de contratos que a empresa arrematar no futuro. Ele ressaltou, no entanto, que nos últimos quatro anos a companhia investiu R$ 200 milhões no Brasil e ampliou, de três para oito, o número de unidades de produção no país. A subsidiária brasileira possui hoje 5 mil funcionários.
O interesse pelo mercado brasileiro pode ser comprovado na decisão de instalar nova fábrica de equipamentos eólicos. O local já está definido e a companhia negocia os últimos acertos com o respectivo governo estadual. A unidade existente em Camaçari foi a primeira de aerogeradores da Alstom fora da Europa. “Foi uma decisão tomada em 2008, antes ainda do primeiro leilão de energia eólica”, lembrou Costa.
Na última semana, a companhia francesa assinou uma carta convite com a Casa dos Ventos para fornecer 68 aerogeradores aos parques eólicos da empresa em João Câmara (RN), que totalizam 180 MW de potência instalada. O contrato definitivo, avaliado em € 230 milhões, está previsto para ser assinado no fim deste mês. Caso a negociação seja concluída, será o quarto contrato da Alstom no mercado eólico brasileiro.
Segundo o executivo brasileiro, a companhia também quer reforçar sua presença na área de transmissão de energia. O foco são as subestações do sistema de transmissão para escoar a energia gerada em Belo Monte para os centros consumidores do Nordeste e Sudeste. As principais linhas de transmissão do sistema, de mais de 2 mil quilômetros de extensão, serão licitadas no próximo ano. A francesa também é responsável pela construção de subestações do chamado linhão da usinas do Madeira, que levará energia até Estado de São Paulo.
No setor de transportes, a Alston negocia com o governo do Estado do Rio uma área para construir vagões que vão atender o acordo firmado com a Supervia para fornecer 160 vagões até 2016. Já em 2013, a empresa francesa terá que entregar um vagão e está sendo avaliada a possibilidade de construir na nova fábrica, no Rio, em Deodoro. O investimento estimado é entre R$ 10 milhões e 12 milhões e deve criar 50 empregos diretos e 150 indiretos. A empresa informou apenas que “pretende desenvolver-se no Estado do Rio. Os projetos da Supervia representam grandes oportunidades e nos estamos trabalhando neles” e não quer dar informações adicionais até um acordo formal ou contrato ser firmado”.
Nessa área, a francesa busca um sócio brasileiro para compor o consórcio que vai disputar o leilão do projeto do trem de alta velocidade (TAV), o “trem-bala”, que ligará o Rio a São Paulo/Campinas. Já está praticamente acertada a participação da operadora ferroviária Societé Nationale dês Chemins de fer Français (SNCF).
Outro alvo são negócios de VLTs (veículos leves sobre trilhos) e composições de metrô, no Rio e em São Paulo. Os executivos da empresa apostam no aumento da demanda com os grandes eventos: a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.





















