Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) R$ 69,82 / kg
Soja - Indicador PR R$ 155,07 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) R$ 161,65 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 8,12 / kg
Suíno - Estadual SP R$ 5,32 / kg
Suíno - Estadual MG R$ 5,52 / kg
Suíno - Estadual PR R$ 4,72 / kg
Suíno - Estadual SC R$ 4,85 / kg
Suíno - Estadual RS R$ 4,84 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 132,33 / cx
Ovo Branco - Regional Branco R$ 132,55 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 142,85 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 146,96 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) R$ 123,67 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) R$ 137,16 / cx
Frango - Indicador SP R$ 8,32 / kg
Frango - Indicador SP R$ 8,35 / kg
Trigo Atacado - Regional PR R$ 1.533,55 / t
Trigo Atacado - Regional RS R$ 1.418,34 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 153,67 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) R$ 129,07 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) R$ 140,69 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) R$ 154,50 / cx
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Como resolver todos os problemas brasileiros sem fazer força – por Ricardo Amorim*

Está aberta oficialmente a temporada de promessas demagógicas.

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Como resolver todos os problemas brasileiros sem fazer força – por Ricardo Amorim*

Não resistiu em conhecer a solução mágica, hein? Está aberta oficialmente a temporada de promessas demagógicas. Cada um dos milhares de candidatos a um cargo eletivo no país tem as soluções para transformar o Brasil no melhor país do mundo em todas as áreas da vida, da economia à educação; da saúde à infraestrutura; do transporte ao lazer. O melhor, alcançaremos tudo isso, em apenas quatro anos, e sem abrir mão de absolutamente nada.
 
Seria fácil culparmos apenas as eleições pelo tsunami demagógico que assola o país. A democracia, inegavelmente o melhor sistema político inventado até hoje, é cheia de defeitos. Um deles é o incentivo à demagogia a cada ciclo eleitoral. Mentirosos demagogos são eleitos; quem diz a verdade sobre os custos para alcançarmos objetivos maiores, não. Simples assim.
 
Infelizmente, temo que a raiz da inundação de mentiras é mais profunda. O problema somos nós. Queremos tudo, queremos já e queremos de graça. Em resumo, queremos ser enganados.
 
Esta postura dos eleitores não é nova, nem exclusividade brasileira. Em maior ou menor grau, ela existe e sempre existiu em todos os países. No entanto, as manifestações de rua parecem tê-la exacerbado. Queremos melhores transporte, saúde e educação, e de graça. Resumindo, “me engana, que eu gosto.”
 
A resposta dos políticos? 10% do PIB para a saúde, 10% do PIB para a educação, 10% do PIB para sei lá eu mais o que. Óbvio que saúde e educação estão entre os fins mais nobres possíveis para recursos públicos, mas será que o problema é, primordialmente, falta de recursos ou de gestão? De onde virá o dinheiro? Magicamente, os políticos nos asseguram que teremos tudo e não pagaremos nada.
 
Fontes de recursos? Por exemplo, a eterna proposta de renegociar a dívida pública. Se ela resolvesse algo, a Argentina não seria um dos 3 únicos países nas Américas onde o PIB terá desempenho pior do que o Brasil neste ano, segundo as projeções da CEPAL.
 
As pesquisas eleitorais e a voz das ruas provam que o Brasil quer mudar. Se queremos mudanças construtivas, primeiro temos de reformular nossas próprias expectativas. Chega de falsas soluções. É hora de discutirmos os custos de cada política pública e não apenas seus supostos benefícios. Cotas garantem o acesso de determinados grupos à universidade,  mas reduzem o acesso dos demais. Meias entradas barateiam o acesso a espetáculo para alguns, mas às custas de encarecê-los para os outros. Tarifas de importações altas protegem subsetores de nossa indústria, mas reduzem a competitividade de subsetores industriais supridos pelos protegidos e tornam os produtos no Brasil os mais caros do mundo. Queremos, mesmo, adotar estas medidas?
 
O crescimento vertiginoso da candidatura de Marina da Silva e suas promessas conciliatórias sugerem que o povo está farto da polarização paralisante que dominou o país nos últimos anos. Chega de ricos x pobres. Chega de nós x eles. Chega de um nacionalismo ufanista, onde nada no Brasil pode ser criticado – e, por consequência, nada é melhorado. Não há complexo de vira-latas maior do que achar que o país não resiste a nenhuma crítica. Chega também de uma desesperança debilitante que teme que nada tenha solução no Brasil e onde nada pode ser elogiado. Tomara que o Brasil do “ame-o ou deixe-o” esteja morrendo, mas que ele não seja apenas substituído por um país de novos sonhos demagógicos, e sim por escolhas e ações conscientes para construirmos o país que queremos e podemos ser, não em um ano, sequer em um mandato presidencial, mas quiçá em uma geração.

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