Exportações perdem ritmo justamente com demanda interna em queda; inverno paralisa portos da Rússia, maior importador do país.
Preço cai, e suinocultor desiste de criação
Redação (10/02/2009)- Com o preço em queda desde novembro e os custos de produção em elevação, devido à quebra de safra no Sul do Brasil, na Argentina e no Paraguai, suinocultores de Santa Catarina colocam granjas à venda e os de São Paulo perdem até R$ 60 por animal vendido.
A crise mundial reduziu o ritmo das exportações de carne suína. Neste começo do ano, os portos da Rússia, destino de 70% dos embarques brasileiros, estão paralisados, por causa do inverno. Tudo num período em que a demanda interna costuma ser baixa.
Responsáveis por mais da metade do custo de produção dos suínos, os preços de soja e milho já aumentaram 12% e 6%, respectivamente, desde novembro. No período, o preço do suíno recuou de R$ 51 para R$ 38,20, queda de 25%.
Produtores estão "literalmente quebrando", diz Valdomiro Ferreira, presidente da APCS (Associação Paulista de Criadores de Suinos). Há três anos o setor aumenta a produção. Agora, com menos vendas para o exterior, o excedente no mercado interno atingiu os preços.
"Esse era pra ser um ano bom para a suinocultura", afirma Alberto Wandebruck, produtor da região de Campinas (SP). Há dois meses perdendo em torno de R$ 60 por animal, ele aumentou sua taxa de descarte de matrizes de 3% para 6%.
Representante de uma família que cria suínos desde 1920, Antônio Iani, de Itu (SP), relata que desde novembro tem perdido em torno de R$ 53 por animal de 100 kg. Ele não pretende reduzir o plantel de 1.400 matrizes. "Se precisar, prefiro parar de uma vez."
Em Santa Catarina, Estado com maior rebanho suíno no Brasil, e onde 50% dos produtores estão integrados à indústria, a situação é complicada. Enquanto os paulistas recebem até R$ 2,13 por kg do suíno vivo, para os catarinenses o preço não passa de R$ 1,70.
Mariocir Ferracini, de Itapiranga, oeste de Santa Catarina, conta que produtores com 300 a 600 matrizes na região desistem da atividade. Segundo ele, há "umas 20 granjas à venda." Com 2.200 matrizes, diz que perde R$ 12 por leitão de 8 kg e que não entende como o preço pode estar tão baixo se, no varejo, os valores continuam altos.
O consumidor, porém, começa a pagar menos pelo produto. Em janeiro, os preços dos cortes suínos pesquisados pela Fipe em São Paulo caíram 4,32% ante dezembro.
Hélio Kern, de Iporã do Oeste, em Santa Catarina, é um dos que decidiram sair do negócio. Perdendo até R$ 15 por leitão, ele diz que "não dá mais para trabalhar no vermelho" e vai vender a granja para quitar o financiamento que contraiu no Banco do Brasil, quando montou o criatório de 500 matrizes há quatro anos.
O vice-presidente da ACCS (Associação Catarinense de Criadores de Suínos), Lousivânio de Lorenzi, acha que a situação no Estado é pior para quem não está integrado no momento. Segundo ele, nos últimos três anos, caiu de 75 mil para 45 mil o número de matrizes em granjas independentes. Ele avalia que os independentes são fundamentais para manter a concorrência e, com isso, propiciar melhores preços até para os integrados.
Escala mínima passa de 50 a 1.000 matrizes
Valdomiro Ferreira, presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos, diz que, há 15 anos, quando começou sua granja, o IEA (Instituto de Economia Agrícola) dizia que a escala mínima para autossobrevivência era de 50 matrizes no Estado. "Há cinco anos já eram necessárias 500 matrizes. Hoje, são ao menos 1.000".
Para Ferreira, um dos caminhos para evitar que as perdas fiquem concentradas nos produtores é a adoção do sistema de contratos. Os preços pagos ao suinocultor e aos frigoríficos seriam calculados a partir de referências no varejo e da composição de custos desses dois elos da cadeia produtiva, propiciando distribuição equilibrada de margens por todo o setor.
Também independente, o produtor Edson Wiggers, de Braço do Norte, leste de Santa Catarina, diz que está perdendo R$ 80 por animal de 100 kg. "Se a situação não melhorar, não sei o que vou fazer, já que meu capital está está todo investido nisso."
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