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Economia

Agricultores e empresas criticam “monopólio” do BB em crédito rural

Banco do Brasil financia 75% das operações do programa “Mais Alimentos” em todo o País.

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Pequenos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas beneficiados pelo programa “Mais Alimentos” criticam o que chamam de “monopólio” do Banco do Brasil em administrar o crédito liberado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário.

O “Mais Alimentos” foi lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho do ano passado com o objetivo de aumentar a produção no campo.

O programa prevê crédito de até R$ 100 mil para pequenos produtores adquirirem tratores ou implementos agrícolas (colheitadeiras, plantadeiras e outros). A taxa de juros é fixada em 2% ao ano e eles podem financiar os itens em até 10 anos.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp), Braz Albertini, diz que “o monopólio do Banco do Brasil no “Mais Alimentos” não é bom, é maléfico”.

“O programa é bom, ótimo, oportunidade para quem quer comprar ou renovar equipamentos, mas seria bom que abrisse para outros bancos. Seria melhor para todo mundo”, disse.

Governo

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Banco do Brasil financia 75% das operações do programa no país. Em São Paulo, segundo o ministério, esse percentual chega a 80%.

O ministério diz que, além do BB, o financiamento pelo programa está disponível nas cooperativas de crédito, em todos os bancos públicos – Banco do Nordeste, Banco do Amazonas, Banrisul – e em bancos privados autorizados, como Bradesco e Itaú, a atuar com linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

“Os produtores e entidades precisam buscar todos os agentes financeiros e convencê-los de que é bom negócio. (…) O problema é que dá mais trabalho financiar para agricultura familiar. Para o banco privado, é a mesma coisa financiar uma colheitadeira com GPS, ar condicionado ou fazer 20 operações de R$ 50 mil para os pequenos. (…) Só bancos com vocação de agricultura familiar, como o Banco do Brasil, acabam fazendo”, diz o diretor de financiamento e proteção da produção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João Luiz Guadagnin.

Empresas

Consultadas pelo G1, fabricantes de máquinas elogiam o Mais Alimentos, mas criticam o fato de o Banco do Brasil dominar os financiamentos pelo programa.

Supervisor de vendas da Planti Center, em Marialva (PR), Marcelo Sanson diz que o Mais Alimentos já representa de 30% a 40% das vendas financiadas da empresa. Ele aponta, porém, pontos negativos.

“Não tem concorrência. É ruim por causa da morosidade do Banco do Brasil, tendo outros agentes, aumenta a concorrência e o crédito pode sair mais rápido.”

Luiz Antonio Viseu, gerente de marketing das Indústrias Reunidas Colombo, em Pindorama (SP), também vê aspectos ruins.

“Eles (BB) liberam só para quem quer e se interessar. Uma concorrência ia ajudar.” Ele diz que a empresa tem várias propostas dentro do “Mais Alimentos”, mas ainda não conseguiu concretizar nenhuma venda.

O presidente da Menta Mit, em Cajuru (SP), afirma que o programa já representa 20% do faturamento da empresa, “com tendência a aumentar”. “O custo do financiamento é praticamente zero, é muito interessante para todo mundo. Mas uma concorrência melhoraria, falta um bom atendimento no Banco do Brasil.”

Banco

O gerente de desenvolvimento regional do Banco do Brasil na superintendência de Ribeirão Preto (SP), Pedro Paulo Câmara, nega que haja mau atendimento na instituição.

Para ele, muitas vezes a demora na liberação ocorre por conta das próprias empresas, que não tem a máquina disponível para entrega após o fechamento do negócio, o que trava o financiamento.

“Precisamos do chassi da máquina para efetivar a comercialização”, explica. Se não houver problemas na documentação, segundo ele, o dinheiro normalmente sai em 20 dias.

Câmara diz que o BB atua praticamente sozinho no “Mais Alimentos” por falta de interesse das outras instituições. “O BB é o único porque é o grande agente de financiamento agrícola. Durante muito tempo algumas outras instituições não se sentiram atraídas. A taxa é baixa e a operação não dá retorno alto.”

Segundo o gerente Pedro Paulo Câmara, na safra 2008/2009 o BB liberou R$ 38 milhões dentro do Mais Alimentos no estado de São Paulo, o que representa cerca de 13% do total do país.

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