Para CVM, redução da taxa básica de juros provocará busca por produtos financeiros mais rentáveis, porém mais arriscados.
Investidor quer risco
A presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, disse que a autarquia está “preocupada” com as mudanças que a queda da taxa básica de juros do País, a Selic, provocará nas modalidades de investimento disponíveis. Para ela, o investidor procurará alternativas de maior risco no mercado.
“Até hoje, as carteiras eram colocadas em produtos que tinham poucos risco e rentabilidade elevada, devido aos retornos oferecidos pelos títulos públicos”, afirmou. “Com a alteração de patamar da Selic, vai haver uma demanda por melhores resultados”.
Segundo Santana, os ativos são regulados e existem de forma legítima no mercado. “Mas é importante que as aplicações sejam feitas com mais informação para o investidor”, disse, após proferir palestra no Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, realizado em Campos do Jordão (SP).
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Para Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e presidente do conselho de administração da BM&FBovespa, o cenário que se apresenta obrigará os investidores a buscarem mais informações sobre os instrumentos que adquirem. “Na verdade, trata-se de uma evolução para uma situação mais normal”, disse Fraga. “Tivemos, no Brasil, muita dificuldade em sair da fase de inflação alta, de problemas no balanço de pagamentos”.
De acordo com ele, esse ambiente propiciava um certo conservadorismo natural. Com as taxas de juros elevadas, o investidor apenas aplicava seu dinheiro na poupança ou no overnight. “À medida que seja necessária outra atitude, com mais estudos e mais cuidados, o investidor entrará em um processo de reeducação”, afirmou. “E isso é muito bom”.
Santana disse, ainda, que nesta semana a CVM deve apresentar a proposta preliminar de uma nova instrução que determinará às companhias abertas (que têm ações negociadas em Bolsa de Valores) a divulgação das suas práticas de gerenciamento de riscos e das suas políticas de remuneração de executivos. As novas regras entram em vigor em 1º de janeiro de 2010.
Segundo a presidente da CVM, existem sete novas operações de emissão de ações à espera de aprovação. Porém, na sua opinião, outros lançamentos ainda dependem de uma análise de como está o apetite do mercado após as turbulências que tiveram início em setembro do ano passado. Santana afirmou ser “razoável” não esperar que o ritmo de aberturas de capital volte ao observado antes da crise.
Apesar das incertezas, Fraga vislumbra um panorama positivo. “Tudo indica que o investimento no País vai crescer. É isso que queremos. Sonhamos com isso por tanto tempo, e esse momento está chegando. Estou muito animado”, afirmou.





















