Tigres da Ásia se recuperam mais rápido que o previsto. Medidas de estímulo e contas em ordem serviram como um colchão para economias voltadas para as exportações.
A resposta dos Tigres
Os países do Sudeste Asiático estão se recuperando dos efeitos da crise mundial mais rapidamente do que o esperado. Esse é um indício de que as medidas de estímulo e as contas em ordem serviram como um colchão para economias majoritariamente voltadas para as exportações – o que as fez particularmente vulneráveis ao aperto de crédito e à queda da demanda externa.
A Indonésia é a estrela. Deve crescer cerca de 3,5%, segundo previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI). Isso ocorre por causa do aumento dos gastos do governo, estabilidade política e, sobretudo, por causa de um mercado interno em desenvolvimento.
“A Indonésia vem se segurando melhor do que os outros países da região sobretudo porque a demanda doméstica vem sustentando o ritmo da economia. E isso deve melhorar à medida que a economia mundial vai melhorando”, disse David Cohen, economista da Action Economics, em Cingapura.
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O consumo responde por 60% do PIB indonésio e mostra expansão por todo o ano. Nos três meses até junho, cresceu 4,8%, na comparação com o mesmo período de 2009. Os gastos públicos aumentaram 17% na mesma comparação.
A economia indonésia cresceu no segundo trimestre, 2,3% frente ao trimestre anterior. O crescimento anualizado foi de 4% nos três meses até junho, após 4,7% do primeiro trimestre. Mas mesmo Cingapura, que parecia ser o grande perdedor, vai se retrair bem menos do que o previsto, registrando em 2009 de – 4% a – 6%. A previsão inicial do governo cingapuriano chegava a catastróficos – 9%.
“Podemos ver claramente que o ritmo de contração desacelerou. E os últimos números mostram um aumento da demanda por produtos de Cingapura”, disse Cohen.
O governo é mais cauteloso. O ministro da Indústria e Comércio de Cingapura, Lim Hng Kiang, disse na semana passada que o pior já passou, “mas é muito cedo para comemorar, pois Cingapura é um mercado muito aberto e dependente do comércio mundial. Assim como é dependente do desenrolar da situação econômica regional. O caminho para uma recuperação sustentável será desafiador”.
O principal parceiro comercial de Cingapura, a Malásia, vem dando também sinais de melhora no quadro econômico. A economia malasiana registrou uma retração anualizada de 3,9% no segundo trimestre. Apesar do dado negativo, o resultado foi melhor do que o esperado por economistas, depois que o país teve uma contração de 6,2% nos primeiros três meses do ano. O governo anunciou que revisaria para melhor a previsão de retração de 5% no ano. “Parece que as coisas estão realmente ficando melhores”, disse na semana passada o ministro da Indústria malasiano, Mustapa Mohamed.
Analistas de mercado estão mais otimistas. O Citigroup espera que a economia da Malásia encolha só 2,3% no ano, enquanto o HSBC vê “boa chance” de o país voltar a crescer ainda neste trimestre.
“Estamos na fase mais forte de recuperação e ainda esperamos ver mais efeitos dos estímulos fiscais e monetários na Malásia e no resto da Ásia”, disse Robert Prior-Wandesforde, economista-chefe do HSBC em Cingapura. “Continuamos otimistas em relação à durabilidade da recuperação.”
Os dois planos de incentivo da Malásia chegam a US$ 19 bilhões, o que ajudou setores da economia mais atingidos pela recessão mundial, como o da construção civil.
Já a Tailândia, outra das principais economias da região, saiu tecnicamente da crise: cresceu 2,3% no segundo trimestre, em comparação ao primeiro. Foi o primeiro crescimento trimestre sobre trimestre desde julho-setembro do ano passado, o que sinaliza uma melhora da situação geral do país.
Na taxa anualizada, houve queda do PIB de 4,9%. No primeiro semestre, a economia retrocedeu 6% em relação aos seis primeiros meses de 2008. O governo espera uma retração de 3% a 3,5% neste ano.
“Tecnicamente, a Tailândia saiu da recessão. Precisamos ver os resultados deste terceiro trimestre para confirmar uma recuperação sustentável”, disse Nuchjarin Panarode, economista da Capital Nomura Securities em Bancoc.
Segundo Ampon Kittiampon, diretor da Agência Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a recuperação da demanda externa ajudou as exportações tailandesas a aumentar em volume e valor em relação ao primeiro trimestre, num momento em que o consumo e gastos públicos crescem. Ampon espera que a recuperação se mantenha no terceiro trimestre e que já nos três últimos meses do ano seja registrada um crescimento anualizado.
Já Filipinas e Vietnã continuam em território positivo. A economia filipina registrou uma expansão anualizada de 1,5% no segundo trimestre. No mesmo período do ano passado, o crescimento havia sido de 4,2%. No semestre, o crescimento foi de 1%, contra 3,8% do primeiro semestre de 2008.
O governo filipino comemora. “Nossa economia deve continuar longe da recessão”, disse na semana passada o secretário de Planejamento Econômico das Filipinas, Augusto Santos.
O crescimento foi puxado pelas exportações, que são chave para a economia do país. Embora elas tenham caído a uma taxa anualizada de 24,7% em junho, vêm crescendo de forma estável desde então, a taxas anualizadas até superiores a 10% ao mês. Manila mantém um plano de estímulo de US$ 6,75 bilhões voltado principalmente para obras de infraestrutura.
O governo parece que vem conseguindo manter um certo grau de otimismo entre os filipinos, o que ajudou a fazer o consumo crescer 2,2% no segundo trimestre.
No Vietnã, menor PIB entre as principais economias, o crescimento esperado pelo Banco Central para este ano é de 5%, acelerando para de 6% a 6,5% em 2010.
O governo vietnamita vem implementando uma estratégia agressiva de aumento do crédito. Isso vem dando apoio às exportações, que respondem por quase 70% do PIB do país.
“O cenário para o Sudeste Asiático parece positivo”, comemora Cohen, da Action Economics.





















