Para o gerente de Relações de Mercado da Abef, acordo comercial entre Brasil e EUA envolvendo a carne de frango não é interessante no momento, apesar da boa relação entre os setores avícolas brasileiro e americano.
Abertura do mercado norte-americano não é prioridade, diz Abef
A Brasil Foods (BRF) obteve recentemente aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para coordenar, como uma única empresa, suas atividades no mercado externo. A determinação abre um leque de auspiciosas oportunidades para a empresa brasileira, dada à competitividade que a Perdigão e Sadia já têm lá fora.
Não deixa de ser frustrante, no entanto, o fato da BRF não poder explorar o mercado dos Estados Unidos, um dos maiores do mundo. A inexistência de um acordo sanitário entre os dois países impede o acesso da gigante brasileira ao mercado norte-americano.
Para Adriano Nogueira Zerbini, gerente de Relações de Mercado da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), as pendências sanitárias entre os dois países não é problema e o acordo não deve ser visto como prioridade. “O setor avícola brasileiro e americano trabalham juntos. Há uma vasta troca de informações, há cooperação entre o Brasil e os EUA”, explica. “Mas a abertura de ambos os mercados envolvem questões que podem ser desinteressantes para os avicultores dos dois países, principalmente na questão de concorrência de produtos”.
Leia também no Agrimídia:
- •Mapa avança negociações sanitárias com a Coreia do Sul para aves, ovos e carne suína
- •Argentina confirma novo surto de Influenza Aviária em granja comercial e reforça alerta sanitário na avicultura
- •A avicultura brasileira e o mercado mundial de carnes no Anuário Avicultura Industrial
- •Vibra Foods exporta para mais de 70 países e conecta mais de 900 famílias produtoras ao mercado de proteína de frango
Zerbini explica que os Estados Unidos consomem apenas peito de frango, principal produto exportado pelo Brasil. Já o Brasil consome todas as partes do frango, inclusive o “Leg Quarter”, ou seja, as coxas de frango, principal produto exportado pelos norte-americanos. “Se abrimos mercados, abriremos também uma forte concorrência entre os produtos no mercado interno dos países”, diz o gerente da Abef. “O próprio produtor tem receios da vantagem deste acordo comercial”.
De acordo com Zerbini, o Brasil poderia até ter uma alta lucratividade com a venda de peito para os EUA, porém, seria muito difícil enfrentar a concorrência das coxas de frango norte-americanas. Ele frisa que não há uma barreira comercial entre os dois países, apenas não houve uma conversa neste sentido. “Um acordo comercial entre os países não é interessante, neste momento. Há outras prioridades para o frango brasileiro, em outros mercados”, concluiu o representante da Abef.





















