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Crise do Euro

Sem acordo na Europa

Empaca negociação no FMI de novas medidas anticrise. Alemanha se opõe à fundo de socorro aos países da zona do euro.

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Os países europeus intensificaram, durante a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesse fim de semana, as negociações para turbinar o fundo criado para socorrer países da zona do euro. Mas a oposição declarada da Alemanha à proposta voltou a colocar em xeque a capacidade de as economias desenvolvidas se unirem em torno de um plano mais arrojado para enfrentar a crise.

Sob pressão dos mercados financeiros, as autoridades presentes nos encontros do FMI e do Grupo dos 20 (G-20) deram fortes declarações nos últimos dias de que irão fazer o que for preciso para evitar a escalada da crise. O discurso oficial é que o plano de voo negociado pela Europa em 21 de julho é suficiente. As incertezas, argumentam, são causadas pela falta de execução do que já foi combinado pelos governos.

“Implementação, implementação, implementação”, afirmou a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. “Temos uma estratégia, e não há nada o que mudar”, disse o ministro das Finanças da França, François Baroin, que preside a reunião do G-20.

Os europeus se comprometeram a aprovar até fim de outubro em 17 parlamentos de países da zona do euro o acordo fechado de 21 de julho. Por esse acordo, seriam aumentados para US$ 600 bilhões os recursos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês), cuja principal função é comprar bônus de países da região em dificuldades. O plano também envolve a renegociação da dívida da Grécia com a chamada “participação privada”, ou seja, com uma perda de cerca de 20% assumida pelos bancos credores.

Enquanto as autoridades procuravam dar uma mensagem pública de união, nos bastidores se intensificavam as divisões sobre a resposta adequada para a a crise. Os Estados Unidos alertaram que os US$ 600 bilhões do EFSF são insuficientes para acalmar os mercados. As chances, porém, de os governos europeus colocarem mais dinheiro fiscal no fundo são remotas, já que os parlamentos relutam até em aprovar o aumento de capital acertado em julho.

A proposta defendida pelos americanos é alavancar o EFSF com recursos monetários, ou seja, imprimindo dinheiro. Nesse modelo, o EFSF primeiro compraria, com seu próprio patrimômio, bônus de países da zona do euro. Em seguida, usaria esses mesmos bônus como garantia para tomar empréstimos do Banco Central Europeu (ECB). Alguns cálculos indicam que, repetidas várias vezes essas operações, o poder de fogo do EFSF poderia chegar a US$ 2 trilhões.

Uma das ideias que circularam em Washington é permitir que o EFSF capitalize os bancos. Num primeiro passo, o fundo compraria bônus de países com problemas bancários. Em seguida, os governos injetariam dinheiro nos bancos.

Ontem, um funcionário do FMI defendeu o modelo de alavancar o EFSF. “O BCE é o único agente que realmente pode assustar o mercado”, disse Antônio Borges, chefe do departamento europeu do FMI. “É muito importante que a gente veja um componente do BCE e EFSF.” Um funcionário da Comissão Europeia (o orgão executivo a UE) indicou que a solução está sob a mesa de discussão. “Estamos contemplando a possibilidade de alavancar o EFSF”, disse Olli Rehn, comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários. Mas, ponderou, isso não ocorreria antes de o acordo de julho ser aprovado pelos 17 parlamentos.

Mas o ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, jogou água fria na proposta. “Não vamos resolver a desalavancagem nas economias com governos e bancos centrais jogando, literalmente, ainda mais dinheiro no problema.” Ele também ponderou que empréstimos do ECB ao EFSF são proibidos pelo tratado da União Europeia.

Outra ideia que ganhou força nos últimos dias é conceder um desconto maior à Grécia na renegociação com os bancos. “O acordo negociado com a Grécia é duro para os bancos e já ajuda o país a reduzir o peso de sua dívida”, rechaçou Josef Ackermann, presidente do conselho do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), entidade que representa os bancos.

O encontro do FMI também não foi capaz de apresentar medidas concretas de estímulo para combater a desaceleração econômica mundial. O que houve foi um comunicado vago defendendo que as economias garantam sustentabilidade fiscal no longo prazo, mas sem fazer ajustes de curto prazo que joguem a atividade econômica ainda mais para baixo.

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